Por que ou porque passarei os alunos…

Não é de hoje a relação difícil com a escola, seja por parte dos pais e encarregados de educação, seja da sociedade em geral, com censuras dirigidas frequentemente aos jovens. Já em 1932, uma comissão de pais explicava que «os filhos são capazes de esforços intensos, mas curtos, são rebeldes ao esforço lento, à tenacidade, à persistência e à continuidade, são cérebros de grande elasticidade, mas sem firmeza, são vontades facilmente vencidas e tornadas inertes pela monotonia das ocupações mentais».
Reflectir sobre as seduções tentadoras a que os jovens de hoje estão expostos seria falar em evidências que todos conhecemos, portanto desnecessário. Assim, neste momento particular de avaliação e no contexto das reformas actuais do ensino, que sugerem o facilitismo impõe-se ponderar alguns pontos que entendemos importantes.
Primeiro, há que considerar que a avaliação das aprendizagens em Língua Portuguesa, pelo seu carácter distinto de disciplina, condensa as múltiplas e complexas dimensões da avaliação. Deste modo, procura ir ao encontro da natureza heterogénea do objecto de trabalho, bem como ter em atenção o estatuto transdisciplinar dos conteúdos da disciplina, as experiências linguísticas dos alunos e o próprio contexto em que se desenvolve o processo de ensino/aprendizagem. A tudo isto acresce a representação social da disciplina como um lugar privilegiado de aquisição e desenvolvimento de competências literácitas, entenda-se compreensão e expressão da Língua Portuguesa.
Noutra perspectiva de abordagem e situando-nos num contexto mais global, há que olhar a escola como uma extensão da realidade social, replicando-a na sua complexidade, implicando assim as consequências que decorrem de uma sociedade obcecada por objectivos subordinados a estatísticas de rentabilidade dominada por «liberalismos». Daqui resultam anacronismos que alimentam os profetas esclarecidos da opinião pública em oposição aos ideais da educação. Mas não nos iludamos, pois esta contenda já António Sérgio a sublinhava: «A escola exprime a sociedade, dá o que lhe pedem: e ninguém lhe pede educação, mas diplomas». Há que ter cuidado com as aparências e não nos deixarmos cair no simplório: «a 4ª classe de antigamente é que era boa».
A nossa convicção coloca-se exactamente no oposto. É melhor um aluno possuir o 12º ano, mesmo com dificuldades, do que ostentar um excepcional 9º ano. As razões tornam-se óbvias quando comparamos os universos de conteúdos e culturais que diferenciam estes dois níveis. Por certo, um jovem, que experimentou o 12º ano, terá mais recursos e ferramentas para encarar a sua maioridade e sentir-se mais capaz de se realizar como adulto.

2 comentários:

Miss Kin disse...

Na minha prespectiva o professor, não é um educador, é um transmissor de conhecimentos.
A educação tem que ser adquirida em casa, assim como os hábitos de higiene. Não se justifica que no meio de tantos conteúdos do programa escolar, ainda se tenha que incluir umas horas de "boas maneira", por muito que seja apologista de que devia ser criada uma aula de Educação Cívica, obrigatória.

Isto é apenas a opinião de quem está de fora, ou seja, vale o que vale...

Ana disse...

E ainda que os recursos e ferramentas sejam usados com maior dificuldade terão oportunidades semelhantes e poderão experienciar a "igualdade de oportunidades", quando esta existe!

Eu também estou fora mas dentro de algumas instituições vejo o que vejo...

Nani