<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003</id><updated>2012-02-16T17:36:34.465Z</updated><category term='Mia Couto'/><category term='Saramago'/><category term='Jesusalém'/><category term='escola'/><category term='escalada'/><category term='Adeus'/><category term='Professor'/><category term='Carnaval'/><category term='Avaliação'/><category term='alunos'/><category term='Emoção'/><category term='Relações'/><category term='Mestrado'/><category term='Memórias de Adriano'/><category term='Bitts'/><category term='Filosofia'/><category term='Educação'/><category term='José Gil'/><category term='Alice no País das Maravilhas'/><category term='Ensino'/><category term='liberdade'/><category term='o país'/><title type='text'>ESCREVER COM ALMA</title><subtitle type='html'>Ler um livro, reconciliado com a vida, é sorver intensamente o interdito na escrita.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-4759318553851657753</id><published>2011-01-12T14:58:00.001Z</published><updated>2011-01-12T14:58:56.447Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o país'/><title type='text'>revolta-me a actualidade desta dor!</title><content type='html'>Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/TS3BoKaiW1I/AAAAAAAACNQ/9iCFwoN8PA4/s1600/Eduardo%252520Prado%252520Coelho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/TS3BoKaiW1I/AAAAAAAACNQ/9iCFwoN8PA4/s320/Eduardo%252520Prado%252520Coelho.jpg" width="212" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Precisa-se de matéria prima para construir um País &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL,DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO. Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país: &lt;br /&gt;-Onde a falta de pontualidade é um hábito;&lt;br /&gt;-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.&lt;br /&gt;-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.&lt;br /&gt;-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.&lt;br /&gt;-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.&lt;br /&gt;-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.&lt;br /&gt;Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.&lt;br /&gt;-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.&lt;br /&gt;-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.&lt;br /&gt;-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.&lt;br /&gt;-Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.&lt;br /&gt;Não. Não. Não. Já basta.&lt;br /&gt;Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.&lt;br /&gt;Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...&lt;br /&gt;Fico triste.&lt;br /&gt;Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.&lt;br /&gt;E não poderá fazer nada... &lt;br /&gt;Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.&lt;br /&gt;Qual é a alternativa ?&lt;br /&gt;Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ? &lt;br /&gt;Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... Igualmente abusados!&lt;br /&gt;É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...&lt;br /&gt;Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.&lt;br /&gt;Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.&lt;br /&gt;Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.&lt;br /&gt;Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.&lt;br /&gt;É a indústria da desculpa e da estupidez.&lt;br /&gt;Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.&lt;br /&gt;Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar ao espelho. Aí está. Não preciso procurá-lo noutro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Eduardo Prado Coelho - in Público&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-4759318553851657753?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/4759318553851657753/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=4759318553851657753&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4759318553851657753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4759318553851657753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2011/01/revolta-me-actualidade-desta-dor.html' title='revolta-me a actualidade desta dor!'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/TS3BoKaiW1I/AAAAAAAACNQ/9iCFwoN8PA4/s72-c/Eduardo%252520Prado%252520Coelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-331576368715506000</id><published>2010-06-20T08:51:00.007+01:00</published><updated>2010-06-20T11:40:34.905+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saramago'/><title type='text'>Saramago começou a viver!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/TB3KJAF57CI/AAAAAAAACLk/HRzb3MNVXEw/s1600/saramago.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 388px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484762177199533090" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/TB3KJAF57CI/AAAAAAAACLk/HRzb3MNVXEw/s400/saramago.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;José de Sousa Saramago nasceu em Azinhaga, Golegã, em 1922. Faleceu em 2010 na ilha de Lanzarote. Filiado e militante activo do P.C.P. foi escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-: PTfont-family:'Times New Roman';" &gt;Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A sua obra: «Memorial do convento» é a mais conhecida e faz parte do programa de estudos do 12º ano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;«&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;“Com José Saramago”, diz Carlos Reis, desaparece não apenas um grande escritor português, mas sobretudo um enorme escritor universal”. No entanto, acrescenta, “fica connosco um universo: esse que Saramago criou, feito de uma visão subversiva da História e dos seus protagonistas, dos mitos estabelecidos e das imagens estereotipadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a sua obra “tenha a dimensão plurifacetada e sempre em renovação que é própria dos grandes escritores”, Carlos Reis arrisca “evocar, neste momento de comovida homenagem, alguns dos seus componentes mais fortes e expressivos”. Lembra que “o romancista que em 1980 publicava ‘Levantado do Chão’ – uma espécie de romance de iniciação que confirmava a aprendizagem representada em Manual de Pintura e Caligrafia – pagava uma espécie de tributo literário ao extinto neo-realismo, com o qual mantinha fortes laços de solidariedade ideológica e política”. Mas acrescenta que “logo depois, e na sequência do admirável ‘Memorial do Convento’, Saramago escreve e publica, entre outros ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (1984), ‘A Jangada de Pedra’ (1986) e ‘História do Cerco de Lisboa’ (1989)”. Isto, diz Carlos Reis, “significa que ‘Memorial do Convento’ não era um caso isolado, no que à inscrição da História na ficção diz respeito, e significa também que a tematização da História desencadeava inevitavelmente um jogo de variações e de modulações temáticas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre “os grandes temas que a ficção saramaguiana nos legou”, Reis assinala “a reflexão sobre Portugal e o seu destino (mau destino, para Saramago) de integração europeia, a problematização de mitos portugueses (o de Fernando Pessoa, por exemplo) em articulação com um tempo histórico tão bem identificado como o dos inícios do salazarismo, a revisão crítica e provocatória do Cristianismo, ou a reflexão em clave ficcional sobre as origens históricas e políticas de Portugal, de novo em incipiente “diálogo” com a Europa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após os anos 80, “a mais fecunda década da escrita literária de Saramago, abre-se”, diz Reis, “um tempo de tematização de sentidos, de valores e de temas com um alcance universal”. E “é então, sobretudo, que o registo da alegoria entra decididamente na escrita literária de Saramago; e é por isso que romances como ‘Ensaio sobre a Cegueira’ ou ‘Todos os Nomes’ são e serão lidos como grandes romances da literatura universal”, afirma o ensaísta e professor universitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Diz-se que José Saramago era um escritor polémico. É verdade. São polémicos os escritores que, com desassombro e com arrojada visão do futuro, interpelam os homens e os poderes do seu tempo”, diz ainda Reis, para concluir: “E é justamente quando o fazem, em conjugação com o impulso inovador que às suas obras incutem, que dizemos deles que são grandes escritores”. E Carlos Reis, que acabou há dias de escrever um prefácio para uma edição especial de “O Memorial do Convento”, ilustrada por João Abel Manta – o livro deverá ser lançado em Setembro pela editora Modo de Ler, não hesita em afirmar que “Saramago foi e será um grande escritor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O último crente&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Eduardo Lourenço, Saramago foi, na sua história pessoal e de escritor, “o que de mais próximo tivemos da Gata Borralheira, uma gata borralheira rústica, que nasceu num berço pobre e chegou àquele trono de Estocolmo”. O prémio Nobel, diz, “foi importante para ele, mais foi-o também para o país, por ter sido o primeiro Nobel da Literatura português e porque as probabilidades de que venhamos a ter outro não são muitas”. No futuro, prevê, “a geração dele, que é também a minha, será a geração do Nobel”.&lt;br /&gt;Recordando que o escritor não tinha muito apreço “pelo patético” e que “não gostaria de grandes efusões a título póstumo”, Lourenço considera que o que o romancista trouxe para a literatura foi uma “visão do mundo segundo José Saramago, uma espécie de evangelho segundo Saramago”. &lt;/span&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Algo que o ensaísta define como “um diálogo profundo, ambíguo, extraordinário, entre a visão evangélica propriamente dita, na qual foi criado, e uma transformação dessa mensagem, da qual Saramago acreditava ter conservado a essência”. Embora a sua obra “parecesse uma coisa blasfema, ele foi de certo modo o último crente numa civilização que já não crê em nada”. É esse, diz, “o paradoxo da sua vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago, afirma, “imaginou uma arquitectura romanesca que é uma espécie de inversão de signo da tradição mais canónica das nossas letras, construiu um mundo ao revés, que era, para ele, o mundo às direitas, reviu a história de Portugal e da Península – a história dos árabes que poderíamos ter sido –, e reviu a história da modernidade numa espécie de apocalipse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Lourenço, a obra de Saramago “é incompreensível” se não se tiver em conta “a exposição” do autor”, enquanto “jovem autodidacta”, à Bíblia, que o escritor depois “transformou numa epopeia fantástica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sublinhando que Sramago “não foi um neo-realista canónico”, Lourenço nota que a sua obra “acabou por dar ao neo-realismo uma espécie de glória fantástica”. O ensaísta lembra ainda que o escritor “partilhou a utopia” dos neo-realistas e que viveu o suficiente para “ver o seu fim, em termos históricos”. Mas assinala que este “não se resignou” e que o novo mundo, “embora triunfante, não o convenceu”. Daí que, argumenta, “lhe tenha oposto, numa espécie de vingança, um mundo às avessas”.&lt;br /&gt;A título pessoal, Lourenço diz que, “um pouco paradoxalmente”, gosta em particular de “Todos os Nomes”, um “livro triste”, que considera “um dos grandes romances de amor da literatura portuguesa”. » &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;In Público&lt;/i&gt;, 20 Junho 2010&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-331576368715506000?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/331576368715506000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=331576368715506000&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/331576368715506000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/331576368715506000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2010/06/saramago-comecou-viver.html' title='Saramago começou a viver!'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/TB3KJAF57CI/AAAAAAAACLk/HRzb3MNVXEw/s72-c/saramago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-2184613644732194270</id><published>2010-05-16T22:53:00.011+01:00</published><updated>2010-05-25T15:00:56.991+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Emoção'/><title type='text'>As emoções na tomada de decisão.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;in&lt;/i&gt; Revista Visão,&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:metricconverter productid="11 a" st="on"&gt;&lt;b&gt;11 a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;17 de Fevereiro de 2010&lt;/b&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = u1 /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A neurociência tem vindo a mostrar que também nas nossas cabeças, com raras excepções, não há preto e branco, mas, antes, cinzento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;António Damásio, radicado nos Estados Unidos da América que, analisando vários pacientes com lesões em regiões cerebrais relacionadas com as emoções, percebeu que estas são essências [nas tomadas de decisão].&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Jonah Lehrer, ex-investigador nesta área afirma: «Não existe uma solução universal para o problema da tomada de decisão»; «o mundo real é demasiado complexo. Às vezes precisamos de racionalizar as nossas opções e analisar cuidadosamente as possibilidades. Outras vezes necessitamos de dar ouvidos às nossas emoções. O segredo reside em saber quando usar estes diferentes estilos de pensamento. Precisamos de pensar continuamente sobre a forma como pensamos»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;mesmo quando pensamos que tomámos uma decisão puramente racional, a emoção está lá por trás, «influenciando secretamente a avaliação»&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;Se tivermos uma lesão cerebral num sector relacionado com as emoções, há, obrigatoriamente, um problema no campo da decisão&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;um caso amplamente estudado por António Damásio: Elliot, um paciente operado a um tumor na cabeça, manteve o mesmo nível de quociente intelectual depois da cirurgia, mas passou a ser incapaz de tomar decisões […] a lesão tinha afectado o seu córtex orbifrontal […] esta parte do cérebro é responsável por integrar as emoções viscerais no processo de tomada de decisão […] liga as emoções geradas pelo cérebro ´primitivo`, com a raiz cerebral e as amígdalas, que se encontram no sistema límbico, ao fluxo do pensamento consciente&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;O primeiro grande trunfo de um bom decisor é a experiência. Sem o conhecimento é impossível acertar no caminho&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;Nos momentos cruciais, o cérebro vai buscar à memória – a base em que se apoiam todos os processos de decisão – a informação arquivada em situações anteriores&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;Jorge Araújo, ex-treinador de basquete e, actualmente, consultor na área da liderança […] exemplifica «Quantas mais decisões as pessoas tiverem tomado anteriormente, maior será a sua capacidade de decidir»&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;Em situações de grande tensão, o cérebro escolhe o caminho mais fácil, poupa energia seguindo o princípio físico da energia mínima, e opta pela rotina&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;Nas crianças até aos 6,7 anos, o peso da rotina é muito elevado, por isso é mais eficaz impor a regra: dizer, por exemplo, ´Nunca atravessar quando o sinal estiver vermelho`, em vez de apresentar a excepção - ´Se estiver vermelho, mas não vierem carros, pode passar`&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Outro aspecto que sustenta um bom decisor é a sua capacidade de lidar com a adversidade. «A oposição é um factor de progresso», sustenta Jorge Araújo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;Para acertar é preciso errar – muitas vezes. «Sem se atrever a falhar, ninguém aprende»&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;É importante que os miúdos possam experimentar e enganar-se. O erro é a forma mais eficaz de aprendizagem&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;o cingulado […] a detecção de erros ou a capacidade de aprender com base no reforço negativo. Alterações nesta estrutura tornam as pessoas mas atreitas à dependência de drogas ou do álcool. Não conseguem modificar o seu comportamento, mesmo quando se revela autodestrutivo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;é preciso ter consciência dos erros , interiorizá-los. Por isso, os campeões de xadrez analisam, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;a posteriori&lt;/i&gt;, cada jogada até ao cheque-mate. A auto-crítica é o melhor caminho para o aperfeiçoamento de tal intuição, baseado na experiência.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O pensamento exige intuição, pois é ela que nos permite processar toda a informação que não podemos compreender directamente.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sara Sá&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal;font-family:Georgia, serif;" class="Apple-style-span" &gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;in&lt;/i&gt; Revista Visão,&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="11 a" st="on"&gt;&lt;b&gt;11 a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;17 de Fevereiro de 20010&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;Entrevista A António Damásio, cientista. «A emoção vem da memória evolutiva»&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;não existe memória sem emoção. E ainda que, sem emoção, não há decisão.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Grande parte das decisões não é tomada instantaneamente. Tudo depende daquilo que está em jogo. […] Existe um espaço de decisão consciente, em que os indivíduos analisam tudo aquilo que sabem sobre um determinado problema e ponderam, de forma lógica, o que devem ou não fazerem. Essas decisões são influenciadas pela nossa memória, tanto no que diz respeito aos factos como à nossa própria vida, pelas emoções que vivemos no passado e, ainda, por muitos outros factores não conscientes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As reacções emocionais vêm da nossa memória evolutiva, das coisas apreendidas pelos nossos antepassados, através da história da evolução. Não se trata da aprendizagem directa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Nós temos vários tipos de memória. A que vem de toda a evolução e que se exprime, sobretudo, sob a forma de emoções, e a que foi adquirida ao longo da nossa vida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A emoção tem muito mais controlo das reacções instantâneas, automáticas, do que das deliberadas, em que nós podemos pensar sobre o que uma determinada emoção nos levaria a fazer&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As reacções emocionais só são mais acertadas quando se trata de situações sobre as quais temos um enorme conhecimento, uma grande experiência ou, ainda, em ocasiões de perigo. […] Tudo depende da experiência, do tempo que temos para tomar a decisão.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se pusermos uma pessoa que não sabe pilotar a tomar decisões emocionais, o avião cai.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;«Podemos treinar a capacidade de decisão?» É isso que fazem as boas escolas. Dão aos estudantes o conhecimento e o exercício da lógica, que lhes vai permitir tomar decisões.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-2184613644732194270?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/2184613644732194270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=2184613644732194270&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2184613644732194270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2184613644732194270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2010/05/as-emocoes-na-tomada-de-decisao.html' title='As emoções na tomada de decisão.'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-6089795390887795598</id><published>2010-04-17T19:10:00.003+01:00</published><updated>2010-04-18T16:15:05.533+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alice no País das Maravilhas'/><title type='text'>Alice no País das Maravilhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/S8n8vqtWFOI/AAAAAAAACD0/cZpkas5xJ_s/s1600/tim-burton-alice-in-wonderland-chatty-flowers.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461173919011968226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 138px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/S8n8vqtWFOI/AAAAAAAACD0/cZpkas5xJ_s/s320/tim-burton-alice-in-wonderland-chatty-flowers.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Hoje fui ao cinema ver a Alice. Revisitei-a. &lt;div&gt;&lt;div&gt;Confesso que me enterneceu  a força da personagem e a modernidade da história. Na verdade vivemos numa permanente metamorfose em busca do: «Quem sou eu?» Recorrentemente, julgando estarmos num mundo sistematizado e ordenado, despertamos num universo avesso e absurdo, do outro lado do espelho, numa desconstrução do primeiro, uma analogia à lagarta em casulo que se descobre borboleta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;«A trama de Lewis Carrol cria universo ficcional caótico que vai sendo conhecido em altíssima velocidade narrativa. Nada real, coisa alguma de realidades. Não deixa o leitor estabelecer relações cognitivas e emocionais no encontro com o texto. O impensado é o desafio a vencer. O País das Maravilhas desliga linguagem de contexto usual e convida ao estranhamento do &lt;a class="tags" style="PADDING-RIGHT: 0px; MIN-WIDTH: 1px; DISPLAY: inline; PADDING-LEFT: 0px; FONT-SIZE: 1em; BACKGROUND-IMAGE: none; PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: auto; COLOR: rgb(70,128,172); PADDING-TOP: 0px; LIST-STYLE-TYPE: none; HEIGHT: auto; TEXT-DECORATION: underline; background-origin: initial; background-clip: initial" onclick="javascript:counttag('Mundo', 1, 383077)" href="http://www.blogger.com/tags/mundo/"&gt;mundo&lt;/a&gt;. Obra de arte, não trata só do nonsense infantil, pois que carrega ordenação lógica singular. Carroll finaliza revelando em que se assenta o seu país: Ah, eu tive um sonho tão esquisito! – diz Alice. O autor faz das aventuras encontros fenomenológicos. Cada episódio guarda níveis de apreensão diversos. A narrativa convoca a capacidade de reordenar as significações. Os encontros de Alice conduzem a pensar a própria linguagem de modo que se torne linguagem primeira redefinindo os próprios limites do mundo. Infância, jogo e linguagem são os marcos essenciais do mundo poético de Carroll. Nenhum suficiente em si para que se compreenda o mundo. Alice não é puro jogo com os significantes. No quinto capítulo, Conselhos de uma Lagarta, filosofia profunda aparece como ingênuo diálogo infantil. “Quem é você?”. Está posta a própria existência em questão. Tantas transformações sofridas e encontros no mínimo inusitados na toca do coelho, longe da família, da escola, das atividades e círculos sociais próximos, a resposta poderá ser errada, porque requer de Alice retomar a própria essência. Tarefa colossal ante as circunstâncias do País das Maravilhas. O desassossego se instala; Carrol questiona a existência antes da autodefinição. Dúvida antes do Verbo A lagarta será borboleta. Espelho da metamorfose. Escapa a Alice a razão de não poder identificar-se. - Bom, quem sabe a sua maneira de sentir talvez seja diferente ... ensaia Alice ainda na tentativa de explicar-se. - Você! - exclamou desdenhosamente a Lagarta. – E quem é você? - Acho que a senhora deveria me dizer primeiro quem é . - Por quê? A nova pergunta desconcerta, confronta sem desvelar-se. Carrol desarticula o mundo instituído. Retoma respostas socialmente aceitas, esvaziadas de significação e lhes dá outro lugar. Só o olhar primeiro, um novo olhar, se permite maravilhar.» &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apoiado no estudo A desconstrução de ilusões, de Milena Shimizu.&lt;a href="http://coisaegente.blogspot.com/"&gt;http://coisaegente.blogspot.com/&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_739.html"&gt;http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_739.html&lt;/a&gt; (17 Abril 2010)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-6089795390887795598?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/6089795390887795598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=6089795390887795598&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6089795390887795598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6089795390887795598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2010/04/alice-no-pais-das-maravilhas.html' title='Alice no País das Maravilhas'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/S8n8vqtWFOI/AAAAAAAACD0/cZpkas5xJ_s/s72-c/tim-burton-alice-in-wonderland-chatty-flowers.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-5661836858362190944</id><published>2010-03-28T23:04:00.005+01:00</published><updated>2010-03-28T23:20:59.387+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Gil'/><title type='text'>José Gil, 71 anos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:26.0pt;mso-outline-level:1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:Tahoma;color:#1E1E1E;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:Tahoma;color:#1E1E1E;"&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:9.5pt;mso-bidi- font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;2&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:9.5pt;mso-bidi- font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;8 Março 2010 - 00h00  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style=" font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Grande Entrevista: José Gil  Correio da Manhã&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:9.5pt;mso-bidi- font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style=" font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;font-size:10.5pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;PERFIL&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-size:9.5pt;mso-bidi- font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style=" font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;font-size:10.5pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;img src="http://www.cmjornal.xl.pt/imgs/ca967162-b341-4feb-88dd-fecb0766bf67_738D42D9-134C-4FBE-A85A-DA00E83FDC20_2A5CC185-9E69-41F7-ABFB-DCA2E1E40065_img_detalhe_noticia_pt_1.jpg" alt="“Há qualquer coisa do espertismo saloio no próprio discurso político em Portugal”, defende" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;José Gil, 71 anos, nasceu &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Moçambique. Em" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em Moçambique. Em&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; 1957 veio para Lisboa estudar Matemáticas. Mas depressa mudou para Filosofia e licenciou-se &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Paris. Há" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em Paris. Há&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; 29 anos regressou para Portugal como professor de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, onde deu a sua última aula a 10 de Março último. É autor de vários livros, entre eles o best-seller ‘Portugal Hoje – O Medo de Existir’ (ed. Relógio d’Água).  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Fez parte das elites intelectuais em frança nos anos 50, 60 e 70. Hoje, com 71 anos, o filósofo que acabou de dar a sua última aula na universidade analisa: “os portugueses não se interrogam muito sobre qualquer que seja o acontecimento da sua vida”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;PERFIL&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;José Gil, 71 anos, nasceu &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Moçambique. Em" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em Moçambique. Em&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; 1957 veio para Lisboa estudar Matemáticas. Mas depressa mudou para Filosofia e licenciou-se &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Paris. Há" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em Paris. Há&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; 29 anos regressou para Portugal como professor de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, onde deu a sua última aula a 10 de Março último. É autor de vários livros, entre eles o best-seller ‘Portugal Hoje – O Medo de Existir’ (ed. Relógio d’Água). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Fez parte das elites intelectuais em frança nos anos 50, 60 e 70. Hoje, com 71 anos, o filósofo que acabou de dar a sua última aula na universidade analisa: “os portugueses não se interrogam muito sobre qualquer que seja o acontecimento da sua vida”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Nesta fase da sua vida, sente que o País precise de si como filósofo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Não, porque o País não precisa de um personagem qualquer salvador. Eu não faço a união, há muita gente que pensa contra mim e que não suporta o que eu digo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Disse na sua última aula que "as pessoas pensam sozinhas". Por que é que os portugueses pouco questionam as grandes decisões do Governo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Os portugueses não se interrogam muito sobre qualquer que seja o acontecimento da sua vida, da vida social, da política.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Somos um povo inteligente?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Com certeza. Temos é uma infelicidade, por razões sociais: Substituímos a nossa inteligência – como povo que produz génios, intelectuais, cientistas – pela esperteza. Pior: Pela esperteza saloia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Nota isso na nossa governação?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Absolutamente. Há qualquer coisa mesmo do espertismo saloio no próprio discurso político &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Portugal. Foi" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;em Portugal. Foi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; um chico-espertismo toda – ou quase toda – a propaganda que o Governo fez antes das eleições, para imediatamente a desmentir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Falta memória aos portugueses?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Falta. E falta talvez por um apego que os portugueses têm a um presente, que vale por si. Não estamos a pensar no passado, como nas sociedades rurais que estão a desaparecer. E como nas sociedades modernas – que ainda não somos – não estamos a pensar sempre no futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Teme pelo futuro?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Só um tonto não teme pelo futuro. Os nossos dirigentes temem. Nós vivemos num clima ameaçador. De quê? De que realmente aconteça a catástrofe que é a perda do adquirido na qualidade de vida, nas expectativas, em tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Disse que o auditório que assistiu à sua última aula estava a abarrotar por causa da "falta de acontecimentos" no País. Não acha que sejamos um povo de filosofar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Não se filosofa por razões interiores, é por acontecimentos externos a nós que nos abanam, que nos violentam o pensamento, e somos obrigados a pensar. Não temos muitos filósofos talvez porque há uma pregnância extrema da religião e talvez da poesia, que pretendem dar respostas àquilo que os filósofos se interrogam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;[…]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Muito bem. Orgulha-se de ter pertencido à classe dos professores?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Não é bem orgulho, tenho "fierté", esse brio interior de pertencer a uma corporação em que o trabalho é para a comunidade. Ver, de repente, um aluno a abrir-se para qualquer coisa é um espectáculo extraordinário. Infelizmente não se dá a importância na sociedade aos professores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- São maltratados?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Foram. Há bastante tempo, mesmo antes do Governo de Sócrates e da ministra Maria de Lurdes Rodrigues ter devastado o ensino, no meu entender.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;[…]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- É um homem de paixões?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Ah, sim. Para mim a vida é fundamentalmente paixão. Quer dizer, um desencadear de energia que pode ser por exemplo a paixão pela criação. Isso abre uma liberdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Está apaixonado pela vida?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Eu não estou apaixonado pela vida. Se eu a vivesse como vivi... A vida deve ser vivida apaixonadamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Por que é que fala no passado?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Porque eu vivi um período colectivo, em França, único: Os anos 50, 60 e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="70. A" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;70. A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; paixão intelectual atravessou milhares de pessoas. Foi o momento em que, em Paris, tudo se transformou – artes, cinema, literatura, filosofia, antropologia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- O facto de ter nascido em Moçambique influenciou o seu pensamento?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Certamente. E das maneiras mais esquisitas, não foi propriamente só de maneira harmoniosa. Por difracções, por desfasamentos entre a língua e o Sol e a geografia. Entre os espaçamentos entre uma comunidade negra imensa e ilhotas, que eram os brancos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Sentia-se apartado?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Não. Mais tarde, aos vinte e tal anos, quando pensei nisso, verifiquei que ali havia qualquer coisa que me era interdita de viver. Mas que eu não sentia como falta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;[…]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Gosta dos seus 71 anos?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- A minha idade cronológica não corresponde a outra idade que não sei qual é, mas que é a idade de vida. Eu serei velho pela idade, mas não me sinto velho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;"A LITERATURA É UMA ACTIVIDADE QUE EM MIM É FRUSTRADA"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Gostaria de ter seguido por uma área das Belas-artes? A sua mãe era poeta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Tenho três romances pequeninos publicados. A literatura é uma actividade que em mim é frustrada porque não segui por aí. Mas durante muitos anos, quando eu era novo, eu hesitava entre a filosofia e a literatura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Imagino que hoje já não hesita!?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Hoje não hesito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;[…]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style=" font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="display: inline !important; "&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Não lhe serve de balanço ter sido nomeado um dos 25 mais importantes pensadores do Mundo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;- Não me sobe à cabeça essa classificação. Eu tenho a consciência de uma certa singularidade até pelo que eu deliberadamente não faço: Quando há qualquer coisa já dita, já feita, eu não repito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Bruno Contreiras Mateus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-outline-level:2"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:130%;color:#D50B12;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-5661836858362190944?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/5661836858362190944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=5661836858362190944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/5661836858362190944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/5661836858362190944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2010/03/jose-gil-71-anos.html' title='José Gil, 71 anos'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7577824062163216023</id><published>2010-03-17T21:03:00.004Z</published><updated>2011-07-03T17:59:36.596+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bitts'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='liberdade'/><title type='text'>BittBox</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;Duas experiências de música baseada em tecnologia de sintetizadores combinada com hologramas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;1- &lt;a href="http://vimeo.com/9543537?hd=1" style="color: #0068cf; cursor: pointer; text-decoration: underline;" target="_blank"&gt;http://vimeo.com/9543537?hd=1&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2- &lt;a href="http://www.naoestafacil.com/um-conceito-differente-de-beatboxing/" style="color: #0068cf; cursor: pointer; text-decoration: underline;" target="_blank"&gt;http://www.naoestafacil.com/um-conceito-differente-de-beatboxing/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div id="mediaspace" name="mediaspace"&gt;&lt;div class="pro-player-container" height="340px" style="text-align: left;" width="560px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="pro-player-container" height="340px" style="text-align: left;" width="560px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div id="mediaspace" name="mediaspace"&gt;&lt;div class="pro-player-container" height="340px" style="text-align: left;" width="560px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7577824062163216023?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7577824062163216023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7577824062163216023&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7577824062163216023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7577824062163216023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2010/03/bittbox.html' title='BittBox'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-9130578266667658231</id><published>2010-01-03T11:43:00.003Z</published><updated>2010-01-03T11:47:51.092Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesusalém'/><title type='text'>Livro três – Revelações e Regressos (221-294)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;A despedida (221-240)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;A serpente não é um animal: é um músculo com dentes, uma despernada centopeia com a barriga no meio do pescoço. Como podia Silvestre Vitalício estar de namoros com tão rasteiro animal? […] E explicou-se: aquela cobra não era senão o Tempo. Durante anos ele tinha resistido contra os arremedos da serpente. Esta noite cedera, desistido (223)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O veneno percorreu-lhe antecipadamente as entranhas e o Tempo começou a apodrecer dentro do seu corpo. - O Tempo é um veneno, Mwanito,. Mais eu lembro, menos fico vivo. […] só existe um verdadeiro suicídio: deixar de ter nome, perder entendimento de si e dos outros. Ficar fora do alcance das palavras e das alheias memórias. (224)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É a solidão que mais tememos na morte. (227) &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em criança não nos despedimos dos lugares. Pensamos que voltamos sempre. Acreditamos que nunca é a última vez. (229)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao iniciar esta viagem eu deixara de ser criança. Mwanito ficara em Jesusalém, e eu carecia de um novo nome, um novo baptismo. […] pela primeira vez não me bastava ver o mundo. Eu queria, agora, ver o modo como olhava o mundo. (230)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;[Marta] Ao participar daquele fingimento de fim de mundo, ela aprendera a morte sem luto, a partida sem despedida. (236)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você, meu filho, nasceu com um coração grande. Com esse coração, você não é capaz de odiar. E este mundo, para ser amado, precisa de muito ódio. […] Jesusalém lhe dera o esquecimento. O veneno da serpente lhe trouxera o tempo. A cidade lhe causara cegueira. (237)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Uma bala vem à baila (241-252)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A verdade era: a mulher me invadira como o Sol enche as nossas casas. Não havia modo de afastar ou impedir essa inundação, não havia cortinado que fechasse aquela luminosidade. (244)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem que ninguém mais dessa conta, as palavras de Vitalício subiam ao céu. Era um céu rasteiro, sem fôlego. Mas era o início de um infinito. (247)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;A árvore imóvel (253- 266)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não foi um continente que engoliu Marcelo. Foram os seus demónios interiores que o devoraram. (254)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A vida só sucede quando deixamos de a entender. […] Nunca me imaginei viajando para África. Agora, não sei como regressar à Europa. Quero voltar para Lisboa, sim, mas sem memória de alguma vez já ter vivido. Não, não me apetece reconhecer nem gente, nem lugares, nem sequer a língua que nos dá acesso aos outros. (254)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;se temos de viver na mentira que seja na nossa própria mentira. […] o mundo termina quando já não somos capazes de o amar. […] a vida não foi feita para ser pouca e breve. E o mundo não foi feito para ter medida. […] as palavras podem ser o arco que liga a Morte e a Vida. (255)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;a minha única morte foi a de Marcelo. Essa, sim, foi o primeiro desfecho definitivo. Não sei se Marcelo foi o amor da minha vida. Mas foi uma vida inteira de amor. Quem ama, ama para sempre. Nunca faças nada para sempre. Excepto amar. (256)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dordalma saiu […] para ser olhada e invejada. O vestido era de cegar um mortal e o decote era de fazer um cego ver o céu. […] Era ela toda inteira. Em casa, Dordalma nunca era mais do que cinza, apagada e fria. […] saiu de casa para, vestida para semear devaneios. […] E suspiravam de inveja, as mulheres; de desejo, os homens. Raiavam nas pupilas dos machos as mesmas dilatadas veias que enchem os olhos dos predadores. […] Nessa manhã tua mãe entrou no chapa-cem e espremeu-se ente os homens que enchiam a viatura. (256-257)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A verdade é que, de acordo com as esquivas testemunhas, Dordalma foi arremessada ao solo, entre babas e grunhidos, apetites de feras e raivas de bicho. E ela foi-se afundando na areia como se nada mais protegesse o seu frágil e trémulo corpo. Um por um, os homens serviram-se &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;[…]&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mais tarde, o teu silêncio, Mwanito, foi a sua defesa contra esse eco recriminador. (257- 260)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Suicídio de mulher casada é o vexame maior para qualquer marido. […] perdida a posse da sua própria vida, ela atirara na cara do teu pai o espectáculo da sua própria morte. (261)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora sabes por que razão Ntundi partiu com Kalash […] por que motivo Silvestre temia o vento e a dança das árvores evocando fantasmas. Gora sabes dos motivos de Jesusalém e do exílio dos Venturas fora do mundo. […] Para Silvestre o passado era uma doença e as lembranças um castigo. Ele queria morar no esquecimento. Ele queria viver longe da culpa. (263)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Nós mulheres. Por que acreditamos tanto, tudo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Porque temos medo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O nosso medo maior é o da solidão. Uma mulher não pode existir sozinha, sob o risco de deixar de ser mulher. Ou se converte, para tranquilidade de todos, numa outra coisa: numa louca, numa velha, numa feiticeira. Ou, como diria Silvestre, numa puta. Tudo menos mulher. (264)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;O livro (267- 294)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desde então, Noci passou a acontecer como a Lua. Visível apenas em estações do mês. E eu passei a suceder por marés, sazonalmente me inundando de mulher. (275)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Quem te ensinou a amar as mulheres?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Devia ter respondido: foi a falta de amor. (277)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tememos a morte, sim. Mas nenhum medo é maior que aquele que sentimos da vida cheia, da vida vivida a todo o peito. (286)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;[Silvestre Vitalício] A fronteira entre Jesusalém e a cidade não foi nunca traçada pela distância. O medo e a culpa foram a única fronteira. […] O medo me fez viver, recatado e pequeno. A culpa me fez fugir de mim, desabitado de memórias. […] Só esse Deus me aliviaria de um castigo que a mim mesmo me havia imposto. Contudo, só agora eu entendi: meus dois filhos, só eles me podem trazer esse perdão. (293)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A ternura daquela mulher [Noci] me confirmava que meu estava errado: o mundo não morreu. Afinal, o mundo nunca chegou a nascer. Quem sabe eu aprenda, no afinado silêncio dos braços de Noci, a encontrar a minha mãe caminhando por um infinito descampado antes de chegar à última árvore. (294)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-9130578266667658231?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/9130578266667658231/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=9130578266667658231&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/9130578266667658231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/9130578266667658231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2010/01/livro-tres-revelacoes-e-regressos-221.html' title='Livro três – Revelações e Regressos (221-294)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-4931781070560691753</id><published>2009-12-29T09:35:00.006Z</published><updated>2010-01-03T11:48:04.652Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesusalém'/><title type='text'>Livro Dois: A Visita (123-218)</title><content type='html'>&lt;b&gt;A Aparição (123-138)&lt;/b&gt;&lt;div&gt;Não chegamos realmente a viver durante a maior parte da nossa vida. Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência. No resto, vamos vagalumeando, acesos apenas por breves intermitências.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma vida inteira pode ser virada do avesso num só dia por uma dessas intermitências. (123)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tempestade parecia a sublevação dos pontos cardeais [...] os desmandos cósmicos (124)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a porta da frente do casarão se destrancou por si mesma. Para mim era um sinal: uma invisível mão me convidava a cruzar a linha proibida. [...] De súbito vi o corpo. [...] Um redemoinho interior me tonteou. [...] O corpo se certificava, estrumado na varanda. (125)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o buraco nunca chegou a ficar pronto. Assim que chegávamos ao fundo, a areia soprada pelo vento recobria a cova por completo. E aconteceu uma, duas e três vezes (128)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Onde antes jazia o corpo, não havia resto de coisa alguma [...] Aos poucos, um novo estado de espírito se instalou em mim, revertendo o susto em sobranceiro sossego. (130)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu nunca tinha exercido a minha própria infância, meu pai me envelhecera desde nascença. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi então que sucedeu a aparição: surgida do nada, emergiu a mulher. (131)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Inesperadamente, já não sabia viver, a Vida se havia convertido numa desconhecida língua. (132)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A intrusa passou por mim, senti pela primeira vez a doçura de um perfume feminino. [...] Deitei tento no modo como se movia, graciosa, mas sem os caricatos trejeitos com que Ntzundi representara as fêmeas criaturas. [...] Aquela era a primeira mulher e ela fazia o chão evaporar. [...] Aquele primeiro encontro marcou em mim, fundo, o misterioso poder das mulheres. (133)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu pai queria fechar o mundo fora dele. Mas não havia porta para ele se trancar por dentro. (137)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;percorri, olhos e dedos, os papéis de Marta. Cada folha foi uma asa em que ganhei mais tontura (138)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Os papéis da mulher (139-152)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou mulher, sou Marta e só posso escrever. [...] E escrevo como as aves redigem o seu voo: sem papel, sem caligrafia, apenas com luz e saudade. [...] Não tenho saudade, não tenho memória: meu ventre nunca gerou vida, meu sangue nunca não se abriu em outro corpo. É assim que envelheço: evaporada em mim, véu esquecido num banco de igreja. (139)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa fidelidade levou-me ao mais penoso dos exílios: esse amor afastou-me da possibilidade de amar [...] Porque eu preciso tanto de nascer! De nascer outra, longe de mim, longe do meu tempo. [...] Para se estar vazia é precio ter dentro. E eu perdi a minha interioridade. [...]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vês como fico pequena quando escrevo para ti? [...] a ausência me deixa submersa, sem acesso a mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este é o meu conflito: quando estás, não existo, ignorada. Quando não estás, me desconheço, ignorante. (140)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ardo para viver. E morro afogada pela minha própria pele. (141)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;sou uma palavra, tu me escreves de noite, de dia me apagas. Cada dia é uma folha que tu rasgas, sou o papel que espera pela tua mão, sou a letra que aguardo pelo afago dos teus olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;[…]&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nada é anterior a mim, estou inaugurando o mundo, as luzes, as sombras. Mais do que isso: estou fundando as palavras. Sou eu que as estreio, criadora do meu próprio idioma. (142)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Perseguida pelo medo da velhice, deixei envelhecer a nossa relação. Ocupada em me fazer bela, deixei escapar a verdadeira beleza, que apenas mora no desnudar do olhar. O lençol esfriou, a cama se desventurou. […] Eu ficava bela para mim, que é um outro modo de dizer: para ninguém. […] essas negras […] são sempre de corpo inteiro. […] Todo o seu corpo é mulher, todo o seu tempo é feminino. E nós, brancas, vivemos numa estranha transumância: ora somos alma ora somos corpo. Acedemos ao pecado para fugir do inferno. Aspiramos à asa do desejo para, depois, tombarmos sob o peso da culpa. (143)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;tu eras um poeta. Eu era a tua poesia. (144)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Só nua eu te podia ler. Porque te recebia não em meus olhos, mas com todo o meu corpo, linha por linha, poro por poro. […] viajar só me interessava se fosse para atravessar infernos, passar a alma por labaredas […]as mulheres explicam-se a si mesmas falando sobre os seus homens. (145)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; há lembranças que apenas na morte se reencontram. (146)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; quem mais me fez companhia na tua ausência foi a tua amante. (147)&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; Só agora entendi que a sedução mora em outro lugar. Talvez no olhar. (148)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; Ao contemplar a queimada na savana, me veio uma saudade dessa troca de fogo, o espelho do deslumbramento &lt;st1:personname productid="em Marcelo. Deslumbrar" st="on"&gt;em Marcelo. Deslumbrar&lt;/st1:personname&gt;, como manda a palavra, deveria ser cegar, retirar a luz. […] do amor me interessa o não-saber, deixar o corpo fora da mente, em descomando absoluto. Mulher apenas na aparência. Debaixo do gesto: bicho, fera, lava.[…] Ele dizia-me - «vou contar estrelas» [...] O dedo pontuava os ombros, as costas, o peito. Meu corpo era o céu de Marcelo. E eu não soube voar, entregar-me ao torpor daquele contar de estrelas. (149)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; Eu era uma tradutora surda, incapaz de verter em gesto o desejo que falava dentro de mim. (149-150)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Quero morar numa cidade onde se sonha com chuva. Num mundo onde chover é a maior felicidade. E onde todos chovemos. (150)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O meu amor escrevia de modo tão profundo que, no decurso da leitura, eu sentia o braço dele roçando o meu corpo e era como se desabotoasse o vestido e as roupas desabassem a meus pés. (150)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- A poesia é uma doença mental. (151)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os homens não olham as mulheres que acabaram de amar porque têm medo. Têm medo do que podem encontrar no fundo dos olhos dela. (151)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Ordem de expulsão (153-172)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tememos a Deus porque existe, mais medo temos do demónio porque não existe. (153)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aqui [África] o Sol geme, sussura, grita. […] Lá, o Sol é uma pedra. Aqui, é um fruto. (158)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O amor é um território onde não se pode dar ordens. E ele criara um recanto governado pela obediência. (161)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;As mulheres são como as guerras: fazem os homens ficarem animais. (162)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Segundos papéis (173-189)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela se separaria em duas como um fruto que se esgarça: o seu corpo, era a polpa, era a alma […] De noite, depois de ter sido comido, lambuzado e cuspido, o corpo retornaria ao caroço e ela dormiria, enfim, como um fruto. (179)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como se pode ser feliz tendo um corpo que deixou de ser nosso. O sexo, disse ela, não se faz nem com o corpo nem com a alma. Faz-se com o corpo que está debaixo do corpo. (179)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois da chuva terminar, porém, é que sucedeu a inundação: um dilúvio de luz. Intensa, total, capaz de cegar. E me surgiram quase indistintas, a água e a luz. […] Todas as cores descoloriram, todo o espectro se tornou num lençol de brancura. (185)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; Este silêncio não é calmaria alguma que tivesse experimentado antes. Não é uma ausência que apressadamente preenchemos com o medo do vazio. É um despertar por dentro. Eis o que sinto: sou possuída pelo silêncio. Nada é anterior a mim, penso. […] - Sou a primeira criatura […] De repente, o sentimento de criação se ensombra. Nada, afinal, é um princípio. Na minha vida tudo é agónico, terminal. Eu sou a que já fui. (187)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;A nudez da mulher negra, contudo, me conduzia ao meu próprio corpo. Pensando no modo como via o meu corpo concluí: eu não sabia estar nua. E dei conta: o que me cobria não era tanto o vestuário mas a vergonha. &lt;span style="font-size:10.0pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;"&gt;[…] &lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;África não era um continente. Era o medo da minha própria sensualidade. (188)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;A loucura (191- 204)&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;O silêncio é uma travessia. Há que ter bagagem para ousar essa viagem. (192)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Cada um de nós foi uma mentira, mas nós os dois fomos verdade. Entende Mwanito? (200)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para o louco, falar é sempre pouco. O que ele queria dizer estava para além de qualquer idioma. (201)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Ordem para matar (205- 218)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A verdade é triste quando é única. Mais triste quando a sua feitura não tem […] o concerto da mentira. (205)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os bichos são pré-criaturas. O Homem é que é patenteável. Só rasgando a última página do livro de Deus é que ele desafia os poderes divinos. (207)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Metade do que fiz foi errado [Zacaria]; o resto foi mentira. (209)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-4931781070560691753?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/4931781070560691753/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=4931781070560691753&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4931781070560691753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4931781070560691753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/12/livro-dois-visita-123-218.html' title='Livro Dois: A Visita (123-218)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-4283210144908911962</id><published>2009-12-22T21:20:00.003Z</published><updated>2009-12-22T21:24:05.312Z</updated><title type='text'>Vá lá. façam o favor de serem felizes neste NATAL.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela vá a falência.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Pedras no caminho?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Guardo todas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Um dia vou construir um castelo..."&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; (Fernando Pessoa)&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-4283210144908911962?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/4283210144908911962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=4283210144908911962&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4283210144908911962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4283210144908911962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/12/va-la-facam-o-favor-de-serem-felizes.html' title='Vá lá. façam o favor de serem felizes neste NATAL.'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-213862034860080965</id><published>2009-12-19T09:04:00.004Z</published><updated>2010-01-18T08:41:49.706Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensino'/><title type='text'>Um apontamento de «Natal».</title><content type='html'>Aqui fica uma pequena nota para reflexão neste fim de período a adivinhar o Natal. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1. Ignorem a professora que, na sua incapacidade, desespera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 16px;font-family:Arial, sans-serif;font-size:13;" class="Apple-style-span"  &gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;«Não é segurando nas asas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 16px;font-family:Arial, sans-serif;" class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;que se ajuda um pássaro a voar. o pássaro voa simplesmente porque o deixam ser pássaro». Mia Couto. (Jesusalém, p:57).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As oportunidades é para se cumprirem no seu nascimento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-4282e0c40b9186fd" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v12.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D4282e0c40b9186fd%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331739204%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D12DA435F6D16EBCC09E5141D14FEDFDF77C143C3.83B0E9484B5C6850A3E272B5C4C4571F3FE64F0A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D4282e0c40b9186fd%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DXw_a8pU_zFL4qZvAD5pkelyG4WI&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v12.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D4282e0c40b9186fd%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331739204%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D12DA435F6D16EBCC09E5141D14FEDFDF77C143C3.83B0E9484B5C6850A3E272B5C4C4571F3FE64F0A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D4282e0c40b9186fd%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DXw_a8pU_zFL4qZvAD5pkelyG4WI&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2. As «novas oportunidades» são renascimentos tardios para os que conseguem vencer os seus demónios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-5d8970d06969ef2e" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" 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href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/213862034860080965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=213862034860080965&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/213862034860080965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/213862034860080965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/12/um-apontamento-de-natal.html' title='Um apontamento de «Natal».'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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E também não referi o meu Tio Aproximado (14)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Ninguém é de uma raça. As raças [...] são fardas que vestimos [...] eu aprendi, tarde demais, que essa farda se cola, às vezes, à alma dos homens. (15)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;A família, a escola, os outros, todos elegem em nós uma centelha promissora, um território em que podemos brilhar [...] Eu nasci para estar calado [...] tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios (15)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;E todo o silêncio é música em estado de gravidez (16)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;O sonho é uma conversa com os mortos, uma viagem ao país das almas (20)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Uns têm filhos para ficarem mais perto de Deus (20)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;os falsos tristes, os maus solitários acreditam que os lamentos sobem às alturas (20-21)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Viver? Ora, viver é cumprir sonhos, esperar notícias. (25)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Quem viveu pregado a um só chão não sabe sonhar com outros lugares (27)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;do ventre do rio contemplei os rebrilhos do sol [...] A ideia de peixarmos, cativos dentro de água, me conduziu à terrível conclusão: os outros, os do lado do Sol, eram os vivos, as únicas criaturas do mundo (30-31)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;Meu Pai, Silvestre Vitalício (33-58)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;O vento era, para Silvestre, uma dança de fantasmas. As árvores, ventadas, convertiam-se em pessoas, eram mortos que se lamentavam, a querer arrancar as suas próprias raízes. (33-34)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Dordalma […] Em lugar de se esfumar no antigamente, ela se imiscuía nas frestas do silêncio, nas reentrâncias da noite. (35)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;meu pai vazara o mundo para o poder encher com as suas invenções. (36)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Silvestre Vitalício sabia tudo e esse saber absoluto era a casa que me dava resguardo. Era ele que conferia nome às coisas, era ele que baptizava árvores e serpentes, era ele que previa ventos e enchentes. Meu pai era o único Deus que nos cabia. (36-37)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Rebaptizados, nós tínhamos outro nascimento. E ficávamos isentos do passado. (41)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Todo o nascimento é uma exclusão, uma mutilação. Fosse vontade minha e eu ainda seria parte do seu corpo [mãe], o mesmo sangue nos banharia. Diz-se «parto». Pois seria mais acertado dizer «partida». (44)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Eu já aprendera a vislumbrar as líquidas luzes do rio, já sabia viajar por letrinhas como se cada uma fosse uma estrada infinita. (48)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;- Há visitas que nem se dá conta. São anjos e demónios que chegam sem pedir licença… […]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;- Anjos ou demónios, a diferença não está neles. Apenas está em nós. (49-50)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Talvez fosse esse desespero que o fazia entregar a uma religião pessoal, uma interpretação muito própria do sagrado. Em geral, o serviço de Deus é perdoar os nossos pecados. Para Silvestre, a existência de Deus servia para O culparmos pelos pecados humanos. Nessa fé às avessas não havia rezas, nem rituais: uma simples cruz a entrada do acampamento orientava a chegada de Deus ao nosso sítio. (52)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Não é segurando nas asas que se ajuda um pássaro a voar. o pássaro voa simplesmente porque o deixam ser pássaro. (57)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Meu irmão, Ntunzi (59-74)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Silvestre achava que uma boa história era uma arma mais poderosa que um fuzil ou navalha. (59-60)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ntunzi] - Neste mundo existem os vivos e os mortos. E existimos nós, os que não temos viagem. (60)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cegueira é o destino de quem se deixa tomar de assalto pela paixão: deixamos de ver quem amamos. Em vez disso, o apaixonado fita o abismo de si mesmo.&lt;br /&gt;-Mulheres são como as ilhas: sempre longe, mas ofuscando todo o mar em redor. (62)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mortos não morrem quando deixam de viver, mas quando os votamos ao esquecimento. (65)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo faz dilatar as distâncias. [...] Era o pior dos maus-olhados: aquele que lançamos sobre nós próprios. (71)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não viver é o que mais cansa. (72)&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O Tio Aproximado (75-88)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;- são todos cúmplices, esses dois muito triplos - garantia Ntzundi. - É o sangue que os liga, sim, mas é o sangue dos outros. (78)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;- saudade é esperar que a farinha se refaça em grão. (80)&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Quem perde esperança foge. Quem perde confiança esconde-se. (81)&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;O Tio Aproximado ficou pontapeando as pedras do átrio. A raiva é apenas um modo diverso de chorar. Conservei-me distante, fingindo que arrumava as ferramentas. Ninguém se deve aproximar de um homem que faz de conta que não chora. (83)&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Pois digo e repito. De que vale ter crença em Deus se perdemos fé nos homens? [...] Política? A política morreu, foram os políticos que a mataram. Agora, restou apenas a guerra (87)&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Zacaria Kalash, o militar (89-104)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;- Estes são os avessos dos meus umbigos. POR aqui – e apontava os buracos – por aqui se escapou a morte (p. 90)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;O que ele queria era contar histórias de caça, falar sem conversar, escutar-se a si mesmo para deixar de ouvir os seus fantasmas. (p. 91)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Nós não entendíamos Jesusalém, dizia Kalash. – As coisas, aqui, são pessoas – explicou. Queixávamo-nos que estávamos sós? Porém, tudo em nosso redor eram pessoas, humanas criaturas vertidas em pedras, em árvores, &lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em bichos. E"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;em bichos. E&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt; até em rio. (p. 101)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A jumenta Jezibela (105 - 119)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;Afinal o Lado-de-Lá estava vivo e governava as almas de Jesusalém (p. 119)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal" class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7810451556789071916?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7810451556789071916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7810451556789071916&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7810451556789071916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7810451556789071916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/09/livro-um-humanidade-13-119.html' title='Livro Um - A Humanidade (13-119)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-2147202960645274477</id><published>2009-09-03T23:20:00.005+01:00</published><updated>2010-01-18T08:42:25.618Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesusalém'/><title type='text'>Um rápido olhar sobre jesulalém</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Mia Couto surpreendeu, mais uma vez, com &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Jesusalém&lt;/i&gt;. O amadurecimento da estrutura do romance não trai a matriz dos seus conto; a entrada abrupta na história, a fragilidade psicológica das suas personagens, nem a «ilógica» do pensamento estruturante que transpira da cosmovisão inscrita nas suas obras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;«Mwanito, o afinador de silêncios» é o narrador, o contador de histórias que vai desfiando das suas memórias, entretecendo as verdades que cada personagem sustenta, deixando ao leitor o prazer de desenlaçar a crença de cada um e conseguir uma visão de conjunto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;De um modo abrupto chegamos a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;i&gt;Jesusalém&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;, cientes de um passado que todas as personagens se esforçam em esquecer, negando a história. Fugindo da realidade cruel, reinventarem-se no imaginário de veredas de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;i&gt;Jesusalém&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;, um espaço real, mas sonhado de modo diverso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;São estes caminhos encruzilhados e sulcados no interior das personagens que o imaginado tenta cicatrizar e rearranjar o passado obrigado a esquecer. Tanto Silvestre Vitalício que decreta: «vocês não podem sonhar nem lembrar. Porque eu próprio não sonho, nem lembro», como o militar Zacaria Kalach desejam fugir do passado e do tempo que os devora. Assim, inauguram uma nova ordem, mudando o nome com excepção do narrador, ainda muito novo para ser do tempo passado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;É neste enquadramento que se vão anulando as identidades, indiciando os afectos e os desafectos passados com o sagrado feminino como a razão desta ordem, com forte expressão na negação do feminino. No entanto, é sedutor o contraditório da trama urdida por Mia Couto ao destacar vozes poéticas do feminino, dando enfoque ao feminino como temática central do romance. É neste contexto que Ba Ka Khosa realça aspectos incontornáveis: «a escolha de mulheres poetas para os cantos, e da mulher mãe, amante, esposa, como desencadeadora da trama romanesca. Este jogo entre os vates dos salmos, e os personagens do romance – maioritariamente masculinos – dá-nos a dimensão indescritível do mundo efabulatório de Mia Couto. Nos cantos, as musas, as deusas, o sagrado feminino expressando-se na mais elevada linguagem: a poesia. No romance, no texto, a negação do feminino, a desacralização da mulher, a diabolização da criadora da vida».&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Este olhar de Mia Couto sobre a mulher incomoda preconceitos sociais, confronta sensibilidades masculinas e femininas e coloca-se numa dimensão da essência do eu que se exprime feminino. São estas provocações que vão despertanto consciências e moldando comportamentos. Já &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Marguerite Yourcenar havia notado estes contrasensos: «A vida das mulheres é limitada demais ou excessivamente secreta. Que uma mulher se conte, e a primeira censura que lhe será feita é a de deixar de ser mulher. Já é bastante difícil pôr qualquer verdade na boca de um homem».&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-2147202960645274477?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/2147202960645274477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=2147202960645274477&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2147202960645274477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2147202960645274477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/09/um-rapido-olhar-sobre-jesulalem.html' title='Um rápido olhar sobre jesulalém'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7348417846246667006</id><published>2009-08-31T18:55:00.004+01:00</published><updated>2010-01-03T11:48:36.696Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesusalém'/><title type='text'>Apresentação do Livro de MIa Couto: Jesusalém</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;«Ouver» a Palestra: Antes de nascer o mundo - Mia Couto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MLq29FFC-2o&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=MLq29FFC-2o&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-a465929e63d8fdee" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v20.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Da465929e63d8fdee%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331739204%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2DAD541F88E2E23D3D26EDA7B949DC0CC7F67D23.70CF46630462DE525D3CC038D6BBC8523A3A35C8%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Da465929e63d8fdee%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DXkWmxFsbE6ghbh7gP7FCYQ0QMw0&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v20.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Da465929e63d8fdee%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331739204%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2DAD541F88E2E23D3D26EDA7B949DC0CC7F67D23.70CF46630462DE525D3CC038D6BBC8523A3A35C8%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Da465929e63d8fdee%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DXkWmxFsbE6ghbh7gP7FCYQ0QMw0&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7348417846246667006?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=a465929e63d8fdee&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7348417846246667006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7348417846246667006&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7348417846246667006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7348417846246667006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/08/apresentacao-do-livro-de-mia-couto.html' title='Apresentação do Livro de MIa Couto: Jesusalém'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-6573564649484901505</id><published>2009-08-31T18:52:00.003+01:00</published><updated>2010-01-03T11:49:05.544Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesusalém'/><title type='text'>Ungulani Ba Ka Khosa, escritor moçambicano.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A viagem interior de Mia Couto&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pedem-me palavras primeiras ao lançamento em solo pátrio do livro Jesusalém; pedem-me uma leitura, um olhar, um escorço a um escritor que há muito se remessou, com o seu engenho, para horizontes que não se confinam somente as fronteiras mundiais da língua da sua escrita, do seu discurso literário. Que palavras para um transfronteiriço, um disseminador de linguagens, de imagens, de identidades de um rincão dos trópicos perdidos, para a geografia do mundo, para o mapa dos saberes perenes, senão o enaltecimento desse magistério, desse exemplo que nunca se escorou nas efémeras facilidades tropicais, por valer-se sempre do seu talento, da sua arte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na moeda da nossa cultura há muito que Mia Couto deixou de se inscrever no reverso, nesse lado onde pontificam outras nobres figuras das nossas letras e artes, porque transladou, por mérito, por labor, ao anverso, e tornou-se na efígie da nossa moeda na transacção no grande bazar das culturas. A essa moeda já não se pergunta pela sua validade, mas pedem-se trocos, quer-se conhece-la nas suas múltiplas vertentes, nos seus variados espelhos. No dédalo das culturas, a obra do Mia, para nosso gáudio, não foi devorada pelo Minotauro sedento do efémero, do passadiço, porque o fio de Ariadne, o fio da perseverança, o fio da qualidade, o fio da salvação ao olvido, o guia pelos labirintos do mundo da literatura saudável, robusta, perene, e sem artifícios, como dizia Hemingway. Com Mia ganha a literatura moçambicana, ganham os escritores, e ganha este País ainda relutante em assumir que a grande bandeira na memória dos povos é a cultura drapejando pelo mundo nos seus variados tentáculos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao ler Jesusalém, ocorreu-me, pela estratégia, o Engenhososo Fidalgo D. Quixote de &lt;st1:personname productid="la Mancha. Cervantes" st="on"&gt;la  Mancha. Cervantes&lt;/st1:personname&gt;, com a sua obra, erigiu, como todos sabemos, o fundamento do mundo romanesco moderno: a ambiguidade. Não há uma verdade, há muitas verdades. Verdades relativas que se vão entrelaçando, formando um nó que o leitor vai desenlaçando com o prazer ou desprazer, dependendo do engenho do autor. Em Cervantes, D. Quixote sai para o mundo, desfazendo injustiças e protegendo damas, personificadas no amor imaginário pela Dulcineia Del Toboso. Em Jesusalém os personagens saem do mundo e pervagam pelos labirintos da vida interior, esquecendo injustiças e riscando damas da memória. Em Cervantes o Fidalgo D. Quixote, acompanhado do seu escudeiro Sancho Pança, quer endireitar o mundo. Em Jesusalém, Silvestre Vitalício e o serviçal Zacaria Kalach, escudeiro nos modernos dizeres, querem sair da História, da selva dos tempos modernos. Nos dois a viagem. Num, do imaginário à realidade, noutro, da realidade crua, sangrenta, ao imaginário interior.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Algo nos perturba nas primeiras páginas de Jesusalém: o título e os Livros - divisores de capítulos, alusão aos livros biblícos. À partida somos perseguidos por essa imagem secular e tutelar de Jesus, o Cristo de uma moral, de uma teologia. Perguntamo-nos se a alusão aos Livros - Um, Dois e Três -, é o egresso, a saída dos livros canónicos em direcção ao mundo do Cristo descrucificado, ou um artificio da efabulação, um jogo de espelhos? A poeta Sophia de Mello Breyner Andresen não nos ajuda muito ao dizer que “Escuto mas não sei⁄ Se o que oiço é silêncio ⁄ Ou deus”. Mas as dúvidas dissipam-se quando o emblemático Silvestre Vitalício convoca os eremitas e anuncia que a terra da iniciação chamar-se-á Jesusalém, e os que nela irão conviver serão desbaptizados. A excepção do mais novo, por sinal o narrador, os principais personagens da trama convertem-se a nova ordem. Orlando Macara, passa a Tio Aproximado; Olindo Ventura a Ntuzi-sombra; Ernestinho Sobra a Zacarias Kalach; Mateus Ventura A Silvestre Vitalício. O mais novo mantêm-se como mwanito, diminutivo de rapaz em chissena, língua do centro do país, por o pai achar que “…ainda está nascendo”. Formaliza-se, na ordem simbólica, o destino dos personagens, dando, por conseguinte, sinal de partida e coerência ao que Vitalício dissera ao Mwanito, o afinador de silêncios: “…vocês não podem sonhar nem lembrar. Porque eu próprio não sonho, nem lembro.” Quer-se inaugurar uma nova ordem, uma nova gramática, uma sintaxe fora do mundo caótico, desordenado, onde outrora viveram. Para tal é preciso instaurar um mundo, uma humanidade no dizer do autor. Jesusalém é o espaço demarcado, o nicho que se quer diferente. “Um dia , Deus nos virá pedir desculpa, diz Vitalício ao grafar, por cima da tabuleta indicativa de Jesusalém, a frase: “Seja bem-vindo, Senhor Deus.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A abertura dos capítulos e subcapítulos dos Livros comportam, no meu entender, Salmos – permitam-me invocar o sagrado termo para o romance. Tirando as citações do sociólogo e também poeta francês Jean Baudrillard, e do escritor Herman Hesse, Mia elegeu para seus salmos quatro grandes poetas, sendo três do espaço lusófono- as brasileiras Adélia Prado e Hilda Hilst, e a portuguesa Sophia de Mello Breyener Andresen -, e uma de língua castelhana, a argentina Alejandra Pizarnick. Interessante notar na construção do romance, no jogo de afectos e desafectos, a escolha de mulheres poetas para os cantos, e da mulher mãe, amante, esposa, como desencadeadora da trama romanesca. Este jogo entre os vates dos salmos, e os personagens do romance - maioritariamente masculinos -, dá-nos a dimensão indescritível do mundo efabulatório de Mia Couto. Nos cantos, as musas, as deusas, o sagrado feminino expressando-se na mais elevada linguagem: a poesia. No romance, no texto, a negação do feminino, a desacralização da mulher, a diabolização da criadora da vida. Que é isto senão a anfibologia, o jogo de sentidos, a ambiguidade do texto, a razão da literatura?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Diz a poeta Alejandra Pizarnick: “Yo me levanté de mi cadáver, e fui em busca de quien soy. Peregrina de mí…” No romance, pelo contrário, não se busca a identidade, não se procura o eu, quer-se, isso sim, matar a memória, esquecer o mundo vivido, e invocar uma nova ordem que se fundamente no silêncio. Um silêncio com um Deus que Hilda Hilst alvitra como “ O Deus de que vos falo ⁄ Não é um Deus de afagos ⁄ É mudo. ⁄ Está só…”. Mas é em Sophia de Mello que está o canto primeiro e último, a voz iniciática em “ Sou o único homem a bordo do meu barco. ⁄ Os outros são monstros que não falam, ⁄ Tigres e ursos que amarrei aos remos, ⁄ E o meu desprezo reina sobre o mar. ”, e o canto último em “ Nunca mais amarei quem não possa viver ⁄ Sempre, ⁄ Porque eu amei como se fossem eternos ⁄ A glória, a luz e o brilho do teu ser, ⁄ Amei-te em verdade e transparência ⁄ E nem sequer me resta a tua ausência, ⁄ És um rosto de nojo e negação ⁄ E eu fecho os olhos para não te ver. ⁄ Nunca mais servirei senhor que possa morrer.” Está dito. O anátema a uma realidade cruel, predadora, que nos desumaniza com discursos envenenados, máquinas trituradoras de boas consciências com a efemeridade de sonhos adocicados, é sinal de busca de outros horizontes que a nossa consciência, liberta das cartilhas castralizadoras da história, nos vai ditar nessa longa viagem pelo interior de nós mesmos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mia está ciente de que não há rincão neste mundo onde a voz humana não possa chegar. Os tempos modernos anularam barreiras, aproximaram mundos, desfizeram mitos. Não há mais mão autocrática que possa travar, por tempo indeterminado, a barreira da comunicação, o fluxo do pensamento. Em Jesusalém a ponte entre mundos nunca foi totalmente anulada, porque o Aproximado aproximou sempre os mundos, ainda que na vertente material, palpável. O mais interessante neste jogo de luzes e sombras, é a quebra dos silêncios advir do corpo de mulher, duma figura feminina transposta de outros oceanos, como que a provar que o mundo é tão grande e ao mesmo tempo pequeno na confluência dos sentimentos. Se o feminino desencadeou a partida, a fuga, o distanciamento, o mesmo feminino veio aglutinar e encadear outras ligações, outros discursos, outros silêncios, outras anarquias. É a Marta, simbolizando o distante ⁄ próximo, que anuncia ao Vitalício que não é o único a sair do mundo: -“ Caro Ventura, uma coisa lhe posso dizer: não foi só o senhor a sair do mundo.” O mundo está a nossa janela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se evoquei Cervantes, fi-lo com a deliberada intenção de dizer que a viagem, a procura de significados , é presença constante desde os antanhos da literatura. Se Cervantes guiuo o seu fidalgo pelas terras da Mancha, Aragão e Catalunha, a busca de verdades, encontrou verdades relativas. Em Mia, a viagem é para a cura. E isso torna-se apodíctico quando o personagem Mwanito, diz: “ –Deixo de ser cego apenas quando escrevo.” A escrita tornou-se orgânica, transformou-se em mais um dos sentidos do corpo. Sem ela a cegueira é incontornável. E para que isso não aconteça é preciso viajar, viajar sempre no barco da escrita. Mia busca sonoridades, sons que a pauta da vida não grafou. E é nessa viagem infinita, nessa incessante busca do som puro que a literatura, o romance inaugurado por Cervantes há quatro séculos, encontra a sua vida, o seu oxigénio. Com Mia, mais que com os inauguradores de correntes, os exegetas do fim do romance, encontramos o prazer da efabulação, o encanto de criar, de amar a palavra, de usufruir o texto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fico grato por te ter como lábaro - não o estandarte das iniciais de Jesus Cristo na época de Constantino, a efígie literária nos labirintos do mundo da escrita. Este Jesusalém que se quer como o livro dos livros ensina-nos que nesta selva de desigualdades, de alienação global, de homogeneização de ambições mesquinhas e terrenas, o grande desafio está em abrir até aos limites a grande coutada da vida: a nossa consciência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ungulani Ba Ka Khosa (Algumas obras: Ualalapi, Orgia dos Loucos, Histórias de Amor e Espanto, No Reino dos Abutres)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Maputo,23 de Junho de 2009&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-6573564649484901505?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/6573564649484901505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=6573564649484901505&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6573564649484901505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6573564649484901505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/08/ungulani-ba-ka-khosa-escritor_31.html' title='Ungulani Ba Ka Khosa, escritor moçambicano.'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-757517429322641515</id><published>2009-07-07T22:14:00.002+01:00</published><updated>2009-07-08T20:32:48.331+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Adeus'/><title type='text'>Eu e Vós</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois desta caminhada de quinze anos, coube a todos vós a minha despedida. Um adeus transporta nostalgia, mas também guia uma partida para nova caminhada e esperança de novos desafios.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;É assim que, ao mesmo tempo, nasce um repto de continuidade, de manter activas as ligações, a cumplicidade e a confiança.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu não desapareço, continuo disponível e contactável por aqui, na rede. Cabe a vós manter o mesmo olhar e continuar a provocar-me com as vossas dúvidas, os vossos sonhos ou simplesmente dizer um simples olá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu continuarei a enfrentar os vossos olhares interrogativos noutros lugares, mas sempre com a mesma postura. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Para mim, todos os anos se renova o desafio de vos despertar e fazer-vos acreditar que sois únicos, irrepetíveis, que só se vive uma vez e que os outros, os que se sentam e caminham ao vosso lado, são o mundo de amanhã, construído hoje. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O mundo está aí à espera para que o tomeis. Mas, mais importante, é celebrarmos e felicitarmo-nos por estar nele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;                                                                         Vá lá…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;                                                               Vai escrevendo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-757517429322641515?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/757517429322641515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=757517429322641515&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/757517429322641515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/757517429322641515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/07/eu-e-vos.html' title='Eu e Vós'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7640931250265169600</id><published>2009-07-03T20:12:00.000+01:00</published><updated>2009-07-03T20:13:04.173+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alunos'/><title type='text'>Joanamaria</title><content type='html'>Joanamaria deixou um novo comentário na sua mensagem "Por que ou porque passarei os alunos…":&lt;br /&gt;A escola é como uma segunda casa para muitos de nós. Quando não estamos de férias, a maioria das horas da semanas são passadas dentro dos portões de uma escola. Temos amigos, não só alunos, mas também professores. Há quem critique relações muito próximas entre alunos e professores, mas temos mesmo que só vos ver como pessoas que nos ensinam umas coisas durante 90 minutos por dia? Temos de vos ver como os "papões" que só nos passam coisas chatas para fazer em casa? Temos mesmo de vos ver como pessoas horriveis que nos fazem estudar imensas horas por semana porque marcaram testes importantes para a nota final? Eu cá acho que não! A escola é, sem dúvida o reflexo da nossa sociedade, mas não tem que ser vivida como tal! Se na sociedade nos sentimos inseguros, não é por isso que temos de nos sentir de igual modo na escola. É aí que durante muitos meses abrimos a alma a novas escolhas, a novas oportunidades a novos conhecimentos. É obvio que as notas são importantes e lutar por uma nota muito boa é algo que temos de fazer.. mas será que decorar, deitar para o papel e tirar 20 é realmente aprender? Este ano aprendi, que não é quem decora que aprende, porque mais tarde esquece.. Quem aprende é aquele que olha o livro como um amigo, que olha a matéria como algo interessante e bonito que é bom aprender. Temos de levar isto como uma caminhada como outra qualquer e não como um pesadelo. A escola tem de ser vista como uma segunda casa, não como uma prisão! E não é, sem dúvida, a 4ª classe de antigamente que era boa! Se a sociedade mudou, se as mentalidades se abriram, porque raio teriamos de continuar com aquela educação? Ate porque educação nao recebemos só em casa, com a familia, recebemos também na escola. Alias, não são só os alunos que aprendem com os professores, os bons professores também aprendem com os alunos ;)&lt;br /&gt;ahahah, 01h52 e eu no blog do stor ! depois nao diga que eu nao comentoo ;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7640931250265169600?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7640931250265169600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7640931250265169600&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7640931250265169600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7640931250265169600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/07/joanamaria.html' title='Joanamaria'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-4825784717325085738</id><published>2009-06-18T18:36:00.002+01:00</published><updated>2009-06-18T19:10:50.329+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Apontamentos sobre as «Memórias de Adriano» (p. 223-246)</title><content type='html'>Apesar de tudo, era demasiado nova. Há livros a que só devemos abalançar-nos depois dos quarenta anos. Antes dessa idade corre-se o risco de desconhecer a existência das grandes fronteiras naturais que separam, de pessoa para pessoa, de século para século, a infinita variedade de seres, ou, pelo contrário, de dar exagerada importância às simples divisões administrativas, às formalidades da alfândega ou às guaritas dos postos armados. Foram-me precisos esses anos para aprender a calcular exactamente as distâncias entre o imperador e eu. (p. 227)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este ascetismo e este hedonismo são, em muitos pontos, permutáveis. (p. 227)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida das mulheres é limitada demais ou excessivamente secreta. Que uma mulher se conte, e a primeira censura que lhe será feita é a de deixar de ser mulher. Já é bastante difícil pôr qualquer verdade na boca de um homem. (p. 231)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance histórico de 1830 cai, é certo, no melodrama e no folhetim de capa e espada [...] No nosso tempo, o romance histórico, ou o que, por comodidade, se consente em designar como tal, só pode ser imerso num tempo, tomada de posse de um mundo interior. (p. 232)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha própria existência, se eu quisesse escrevê-la, seria reconstituída por mim, de fora, penosamente, como a de outra pessoa; teria que recorrer a cartas, a lembranças de outrem, para fixar essas flutuantes memórias. Nunca são mais que paredes desmoronadas, divisórias de sombras (p. 233)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interdizer a si mesmo as sombras projectadas; não permitir que o bafo de um hálito se estenda sobre o aço do espelho; aproveitar somente o que há de mais duradouro, de mais essencial em nós, nas emoções dos sentidos ou nas operações do espírito, como ponto de contacto com aqueles homens que como nós trincaram azeitonas, beberam vinho, bezuntaram os dedos de mel, lutaram contra o vento agreste e a chuva que cega, ou procuraram no Verão a sombra do plátano, e gozaram, e pensaram, e envelheceram, e morreram. (p. 234)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A substância, a estrutura humana não mudam. Nada mais estável que a curva de um tornozelo, o lugar de um tendão ou a forma do dedo de um pé. Mas há épocas em que o calçado deforma menos. No século de que falo, estamos ainda muito perto da livre verdade do pé nu. (p. 234)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Antínoo só pode avistar-se por refracção, através das recordações do imperador, quer dizer, com uma minúcia apaixonada e alguns erros. (p. 236)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apercebi-me rapidamente de que escrevia a vida de um grande homem. Daí, maior respeito pela verdade, mais atenção e, quanto a mim, maior silêncio. (p. 240)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o ser que viveu a aventura humana fui eu. (p. 241)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este século II interessa-me porque foi, durante muito tempo, o dos últimos homens livres. Pelo que nos diz respeito, estamos talvez já muito distantes desse tempo. (p. 241)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a fidelidade aos facto aumenta fortemente o seu valor humano (p. 247)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-4825784717325085738?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/4825784717325085738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=4825784717325085738&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4825784717325085738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4825784717325085738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/06/apontamentos-sobre-as-memorias-de.html' title='Apontamentos sobre as «Memórias de Adriano» (p. 223-246)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-3285204750065537808</id><published>2009-06-18T18:24:00.003+01:00</published><updated>2009-06-18T18:35:58.124+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Patientia (205- 222)</title><content type='html'>a passagem do tempo apenas acrescenta à infelicidade mais uma vertigem (p. 208)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia ainda que a morte pode tornar-se objecto de ardor cego, de uma fome como o amor [...] combate sem glória contra o vácuo, a fadiga, o tédio de existir que leva ao desejo de morrer (p. 209)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiei toda a minha vida na sabedoria do meu corpo; procurei saborear com discernimento as sensações que este amigo me proporcionava: tenho por dever apreciar também as últimas (p. 212)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não podemos encerrar-nos durante anos num único pensamento sem fazer entrar nele, pouco a pouco, todas as rotinas de uma vida (p. 216)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota. Dada a natureza do tema e porque a juventude dos meus alunos é um bem muito estimado por mim, fico por aqui neste capítulo.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-3285204750065537808?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/3285204750065537808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=3285204750065537808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3285204750065537808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3285204750065537808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/06/patientia-205-222.html' title='Patientia (205- 222)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-5649423584145170125</id><published>2009-06-15T18:02:00.004+01:00</published><updated>2009-09-07T21:53:42.887+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Disciplina augusta (163-204)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SjZ_rd7Ur-I/AAAAAAAABsc/Oop386ZYz5M/s1600-h/PormTrajano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SjZ_rd7Ur-I/AAAAAAAABsc/Oop386ZYz5M/s320/PormTrajano.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347601992293593058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tinha desde há muito concedido por toda a parte isenções análogas aos médicos e aos professores, na esperança de favorecer a manutenção e desenvolvimento de uma classe média séria e sábia. Conhecendo-lhe os defeitos, mas um Estado só subsiste por ela. (p. 165-166)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Antímaco compreendera melhor o mistério dos horizontes e das viagens e a sombra projectada pelo homem efémero nas paisagens eternas. (p. 167)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;o mundo talvez não tenha nenhum sentido, mas, se tem algum, este exprime-se em Elêusis […] Tudo entrava ali, Héstia e Baco, os deuses do lar e os da orgia, as divindades celestes e as do além-túmulo (p. 168)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;toda a tolerância concedida aos fanáticos faz-lhes acreditar imediatamente na simpatia pela sua causa (p. 169)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;os pedantes irritam-se sempre quando os outros sabem tão bem como eles o seu mesquinho ofício (p. 171)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A palavra filantropia é grega, mas é o legista Sávio Juliano e eu quem trabalha para modificar a miserável condição de escravo (p. 171)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;espanto-me mesmo de que aqueles municípios, muitos dos quais mais antigos que Roma, se mostrassem tão prontos a renunciar aos seus costumes, por vezes bastante judiciosos, para em tudo se assimilarem à capital. O meu fim era simplesmente diminuir essa massa de contradições e de abusos que acabam por fazer do processo um matagal onde as pessoas honestas não ousam aventurar-se e onde prosperam os bandidos. (p. 173)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Perdera […] aquela agilidade de espírito que me permitia associar-me ao pensamento de outrem, de tirar proveito dele, ao mesmo tempo que o julgava (p. 176)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Povo algum, excepto Israel, tem a arrogância de possuir toda a verdade nos estreitos limites de uma única concepção divina, insultando assim a multiplicidade de deus que contém tudo (p. 179)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;em todos os combates entre o fanatismo e o senso comum, este último raramente vence (p. 179)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;tudo o que põe em relevo o esforço do homem, nem que seja só por um dia, parecia-me salutar perante um mundo tão pronto a esquecer (p. 191)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;chegara à idade em que cada lugar belo lembra um outro mais belo, em que cada delícia se agrava com a lembrança de delícias passadas. Aceitava entregar-me aquela nostalgia que é a melancolia do desejo. (p. 191)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não tenho filhos e não o lamento […] Mas esse desgosto tão vão baseia-se em duas hipóteses igualmente duvidosas: a de que um filho forçosamente nos prolonga e a de que este estranho amontoado de bem e de mal, esta massa de particularidades ínfimas e bizarras que constitui uma pessoa mereça ser prolongado. Utilizei o  melhor que pude as minhas virtudes; tirei partido dos meus vícios; mas não tenho especial empenho  em legar-me a alguém. (p. 192)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;a possibilidade de atirar fora a máscara em tudo é uma das raras vantagens que o envelhecimento me dá (p. 194)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;a minha opinião a seu respeito modificava-se sem cessar, o que só acontece como os seres que nos tocam de perto; contentamo-nos em julgar os outros mais por alto, e de uma vez para sempre. (p. 195)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A idade nunca me pareceu uma desculpa para a malignidade humana; verei antes nela uma circunstância agravante (p. 197)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os deuses não se levantam; não se levantam nem para nos advertir, nem para nos proteger, nem para nos recompensar, nem para nos punir (p. 198)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;mas aos dezassete anos o excesso é uma virtude (p. 202)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há mais de uma sabedoria, e todas são necessárias no mundo, não é mau que alternem (p. 204)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;dali em diante podia voltar para Tíbure, reentrar nesta inactividade que é a doença, experimentar, com os meus sofrimentos, mergulhar no que me restava de delícias, continuar em paz o diálogo interrompido com um fantasma (p. 204)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-5649423584145170125?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/5649423584145170125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=5649423584145170125&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/5649423584145170125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/5649423584145170125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/06/disciplina-augusta.html' title='Disciplina augusta (163-204)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SjZ_rd7Ur-I/AAAAAAAABsc/Oop386ZYz5M/s72-c/PormTrajano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-3307899528986703991</id><published>2009-06-07T17:28:00.008+01:00</published><updated>2009-06-07T19:26:09.934+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Saeculum aureum (119-162)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SiwDmJtdKfI/AAAAAAAABsU/EMzIskqFO6k/s1600-h/antinoo"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 306px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SiwDmJtdKfI/AAAAAAAABsU/EMzIskqFO6k/s320/antinoo" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344650811758422514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Antínoo era grego [...] Mas a Ásia havia produzido naquele sangue um pouco acre o efeito da gota de mel que turva e perfuma o vinho puro. (p. 122)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só fui senhor absoluto uma única vez e de um único ser (p. 122)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma hora de sol fazia-o passar da cor do jasmim à do mel [...] o jeito de infantil de fazer beicinho carregou-se de uma amargura ardente, de uma saciedade triste. Na verdade aquele rosto mudava como se eu o tivesse esculpido dia e noite. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando me volto de novo sobre esses anos julgo encontrar a Idade de Ouro. Tudo era fácil: outrora os esforços eram recompensados por uma satisfação quase divina. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A paixão cumulada  cumulada tem a sua inocência, quase tão frágil como qualquer outra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[...] ao romper do dia descíamos para nos banharmos nas margens do rio, pisando, ao passar, as altas ervas molhadas pelo orvalho nocturno, sob um céu donde pendia o delgado crente da lua (p. 122)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A travessia do Bósforo sob a tempestade de neve foi bela; houve cavalgadas na floresta trácia, com o vento áspero engolfando-se nas pregas das capas (p. 124)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;erigiu-se uma coluna, onde foi gravado um poema, para comemorar essa lembrança de um tempo em que tudo, visto a distância, parece ter sido nobre e simples, a ternura, a glória, a morte. (p. 124-125)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Avistava por entre as cordas o perfil do meu jovem companheiro, sensatamente ocupado a desempenhar a sua parte no conjunto, e os seus dedos tocando com cuidado ao longo dos fios esticados. Este belo Inverno foi rico de convívios amigáveis (p. 126)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquele belo ser sensual encarava a morte com horror; eu não me apercebia de que ele já pensava muito nela. Quanto a mim, compreendia mal que se deixasse voluntariamente um mundo que me parecia belo, que se não esgotasse aé ao fim, a despeito de todos os males, a última possibilidade de pensamento, de contacto e mesmo de olhar. Mudei muito depois. (p. 128)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do alto do Etna [...] desenrolou-se de um horizonte ao outro um imenso véu de Íris; sobre as neves dos cimos brilharam estranhos fogos; o espaço terrestre e marítimo abriu-se ao noso olhar até a África visível e a Grécia adivinhada. Foi um dos momentos culmiantes da minha vida. Não faltou nada, nem a franja dourada de uma nuvem, nem as águias, nem o copeiro da imortalidade [...] confesso sem rodeios as causas secretas dessa felicidade: aquela calma tão propícia aos trabalhos e às disciplinas parece-me um dos mais belos efeitos do amor (p. 128)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naquela época punha em fortalecer a minha felicidade, apreciá-la, e também em julgá-la, a atenção que sempre dispensara aos mais pequenos pormenores dos meus actos; e que é a própria voluptuosidade senão um momento de atenção apaixonada do corpo? Toda a felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor deselegância desfeia-a, a menor estupidez embrutece-a. (p. 129)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Todas as divindades me pareciam, cada vez mais, misteriosamente fundidas num todo, emanações infinitamente variadas, manifestações iguais da mesma força: as suas contradições não eram mais do que uma forma de acordo. (p. 130) &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Há muito tempo já que eu preferia as fábulas relativas aos amores e às querelas dos deuses aos comentários ineptos dos filósofos sobre a natureza divina; aceitava ser a imagem terrestre daquele Júpiter tanto mais deus quanto é homem (p. 132)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Gostava muito que figurasse nas moedas romanas um perfil de imperatriz tendo no reverso uma inscrição, umas vezes ao Pudor, outras à Tranquilidade (p. 133)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O meu jovem pastor tornava-se um jovem príncipe. Já não era a criança zelosa que, nas paragens, saltava do cavalo para me oferecer água das fontes recolhida nas suas mãos: o doador sabia agora o imenso valor dos seus dons. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ofereço aqui aos moralistas uma ocasião fácil de triunfar sobre mim (p. 134)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Entre tantos disfarces, no meio de tantos prestígios, aconteceu-me esquecer a pessoa humana, a criança que se esforçava em vão para aprender Latim, que pedia ao engenheiro Decriano que lhe desse lições de Matemática e depois renunciava a elas, e que, à mínima censura, ia amuado para a proa do navio, contemplando o mar. (p. 136)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi então que uma melancolia momentânea me apertou o coração: pensei que as palavras acabamento, perfeição, contêm em si a palavra fim: talvez eu tivesse somente oferecido mais uma presa ao tempo devorador. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não amava menos; amava mais. Mas o peso do amor, como o de um braço ternamente pousado sobre um peito, tornava-se pouco a pouco mais difícil de suportar. (p. 137)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Aconteceu-me bater-lhe: lembrar-me-ei sempre daqueles olhos assombrados. Mas o ídolo esbofeteado continuava a ser ídolo, e os sacrifícios expiatórios começavam. (p. 138)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O tempo de Elêusis tinha passado [...] convinham àquele momento da vida em que a dança se torna vertigem, em que o canto se acaba em grito (p. 139)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Dominava-me a curiosidade dessas regiões intermédias em que a alma e a carne se fundem, em que o sonho responde à realidade e, por vezes, a ultrapassa, onde a vida e a morte trocam os seus atributos e as suas máscaras.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;não será a alma apenas o supremo resultado do corpo, frágil manifestação da dor e do prazer de existir? É, pelo contrário, mais antiga que este corpo modelado à sua imagem, e que, melhor ou pior, lhe serve momentaneamente de instrumento? É possível chamá-la ao interior da carne, restabelecer entre elas esta união estreita, esta combustão a que chamamos vida? Se as almas possuem a sua identidade própria, podem elas tocar-se, ir de uma para outra como o bocado de um fruto, o gole de vinho que dois amantes passam um ao outro num beijo? Todos os sábios mudam de opinião sobre estes assuntos vinte vezes por ano. (p. 141) &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em Alexandria as religiões são tão variadas como os negócios: a qualidade do produto é mais duvidosa. (p. 147)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Jerusalém significava-me, pela boca de Akiba, a sua vontade de se conservar até o fim a fortaleza de uma raça e de um deus isolados da raça humana. (p. 148)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Antínoo, deitado no fundo da barca, encostara a cabeça aos meus joelhos; [...] A minha mão deslizou na sua nuca, sob os cabelos. Nos momentos mais vãos ou mais ternos, eu tinha ainda o sentimento de ficar em contacto com os grandes objectos naturais, a densidade das florestas, o dorso musculado das panteras, o pulsação regular das fontes. Mas nenhuma carícia chega à alma. (p. 150)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;uma criança receosa de perder tudo encontrara o meio de me ligar a si para sempre. Se pensou proteger-me com aquele sacrifício, deve ter-se julgado bem pouco amado para não sentir que o pior dos males seria perdê-lo. (p. 154-155)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Estava fatigado daquelas figuras colossais de reis todos idênticos, sentados lado a lado, apoiando na sua frente os pés longo e chatos, daqueles blocos inertes em que não está presente coisa alguma daquilo que para nós constitui a vida, nem a dor, nem a reflexão que organiza o mundo em volta de uma cabeça inclinada. (p. 155-156)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;o imperador […] pegou na sua adaga e lavrou naquela pedra dura algumas letras gregas, uma forma abreviada e familiar do seu nome ADRIANO… Era ainda uma oposição ao tempo: um nome, uma soma de vida de que ninguém computaria os inúmeros elementos, uma marca deixada por um homem perdido nesta sucessão de séculos (p. 156)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-3307899528986703991?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/3307899528986703991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=3307899528986703991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3307899528986703991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3307899528986703991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/06/saeculum-aureum-119-162.html' title='Saeculum aureum (119-162)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SiwDmJtdKfI/AAAAAAAABsU/EMzIskqFO6k/s72-c/antinoo' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-3702025529702672097</id><published>2009-06-05T18:47:00.009+01:00</published><updated>2009-06-09T16:02:48.026+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Tellus stabilita (77-118)</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;div style="BORDER-TOP-WIDTH: 0px; PADDING-RIGHT: 3px; PADDING-LEFT: 3px; BORDER-LEFT-WIDTH: 0px; BORDER-BOTTOM-WIDTH: 0px; PADDING-BOTTOM: 3px; MARGIN: 0px; FONT: 100% Georgia, serif; WIDTH: auto; PADDING-TOP: 3px; TEXT-ALIGN: left; BORDER-RIGHT-WIDTH: 0px"&gt;Tentei demonstrar aos Gregos que não eram eles sempre os mais sábios e aos Judeus que não eram de modo algum os mais puros. [...] Aquelas raças, que viviam há séculos porta com porta, nunca tinham tido a curiosidade de se conecher nem a decência de se aceitar mutuamente. (p. 80) &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;sabia que o bem, como o mal, é uma questão de rotina, que o temporário se prolonga, que o exterior se infiltra no interior e que, com o decorrer do tempo, a máscara toma-se face. Pois que o ódio, a estupidez, o delírio têm efeitos duradouros, não via razão para que a lucidez, a justiça, a benevolência não tivessem também os seus. (p. 80)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Confessei o meu medo: não me sentia mais isento de crueldade que de qualquer outra tara humana: aceitava o lugar-comum que diz que o crime atrai crime, a imagem do animal que uma vez provou o gosto do sangue (p. 83)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Cada um de nós tem mais virtudes que os outros supõem, mas só o êxito as torna notórias, talvez porque se espera então que deixemos de as praticar. Os seres humanos confessam estupidamente as suas piores fraquezas quando se espantam de que um senhor do mundo não seja indolente, presunçoso ou cruel. (p. 85)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;aprendi a suportar os Jogos […] Detestava aqueles massacres em que a fera não tem uma probabilidade; no entanto, ia percebendo pouco a pouco o seu valor ritual, os seus efeitos de trágica purificação sobre a multidão inculta (p. 86)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;aparentar desdém pela alegria dos outros é insultá-los (p. 86)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A moral é uma convenção privada; a decência é uma questão pública; todo o desregramento excessivamente visível deu-me sempre a impressão de uma exibição de má qualidade (p. 86)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;Sobre a amizade de Plotina&lt;/span&gt; a sua amizade continuava a ser exigente, mas, apesar de tudo, só tinha exigências sensatas (p. 87)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Todo o prazer sentido com gosto me parece casto (p. 88)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Um triunfo só assenta bem aos mortos. Durante a vida há sempre alguém para censurar as nossas fraquezas, como outrora a César  sua calvíce e os seus amores (p. 88-89)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Roma já não cabe em Roma: daqui em diante tem que decair ou igualar-se a metade do mundo [...] Virtudes que eram suficientes para a pequena cidade das sete colinas teriam que tornar-se flexíveis, diversificar-se, para convirem à terra inteira. (p. 89-90)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toda a criação humana que aspira à eternidade deve adaptar-se ao ritmo instável dos grandes objectos naturais, harmonizar-se com o tempo dos astros (p. 90)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agradecia aos deuses por me terem concedido viver num tempo em que a tarefa que me coube consistia em reorganizar prudentemente o mundo e não em tirar do caos uma matéria ainda informe ou deitar-me sobre um cadáver para tentar ressucitá-lo (p. 90-91)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegrava-me que as nossas religiões vagas e veneráveis decantadas de toda a intransigência ou de todo o ritual selvagem, nos associassem misteriosamente aos sonhos mais antigos do homem e da terra, mas sem nos proibir uma explicação laica dos factos, uma visão racional do comportamento humano. Agradava-me enfim que estas mesmas palavras Humanidade, Felicidade, Liberdade não houvessem ainda sido desvalorizadas por demasiadas aplicações ridículas. (p. 91)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toda a explicação lúcida me convenceu sempre, toda a delicadeza me conquistou, toda a felicidade me tornou moderado. E nunca prestei grande atenção às pessoas bem intencionadas que dizem que a felicidade excita, que a liberdade enfraquece e que a humanidade corrompe aqueles sobre quem é exercida. (p. 91)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo acrescentar que acredito pouco nas leis. Demasiado duras, são transgredidas com razão. Demasiado complicadas, o engenho humano encontra facilmente maneira de se escapar por entre as malhas dessa nassa monótona e frágil. O respeito pelas leis antigas corresponde ao que tem de mais profundo a piedade humana; serve também de almofada à inércia dos juízes. As mais velhas participam daquela selvageria que se empenhavam em corrigir; as mais veneráveis são um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;produto da força. (p. 91-92)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora todos os povos decaíram por falta de generosidade (p. 93)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvido de que toda a filosofia do mundo consiga suprimir a escravatura: o mais que poderá suceder é mudarem-lhe o nome. (p. 93)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A condição das mulheres é determinada por estranhos costumes: são ao mesmo tempo dominadas e protegidas, fracas e poderosas, excessivamente desprezadas e excessivamente respeitadas. Neste caos de usos contraditórios, a sociedade sobrepõe-se à natureza [...] A fraqueza das mulheres, como a dos escravos, resiste à sua condição legal; a sua força vinga-se nas pequenas coisas em que o poder que elas exercem é quase ilimitado (p. 94)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos funcionários do Estado, não somos Césares (p. 97)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construir é colaborar com a terra; é pôr numa paisagem uma marca humana que a modificará para sempre (p. 101)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada pedra era a estranha concreção de uma vontade, de uma memória, por vezes um desafio. Cada edifício era o plano de um sonho (p. 102)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou como os nossos escultores: o humano satisfaz-me; nele encontro tudo, até o eterno. (p. 104)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento atirou-nos muitas vezes seguidas para a costa que havíamos deixado: aquela travessia contrariada proporcionou-me espantosas horas vazias […]&lt;br /&gt;durante a sua vida breve, cada homem tem sempre que escolher, entre a esperança infatigável e a sensata ausência de expectativa, entre as delícias do caos e as da estabilidade, entre o Titã e o Olímpico. A escolher entre eles ou a conseguir pô-los, um dia, de acordo um com o outro. (p. 108)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas vistas do espírito são desprovidas de valor prático: deixam contudo de ser absurdas desde que o calculador se conceda, para as suas computações, uma porção bastante vasta de futuro (p. 108- 109)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um sábio &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;indiano&lt;/span&gt; [...] as suas meditações o induziam a acreditar que o universo inteiro não é mais do que um tecido de ilusões e erros: a austeridade, a renúncia, a morte eram para ele o único meio de escapar à corrente variável das coisas [...] de encontrar, para além do mundo dos sentidos, aquela esfera do divino puro, aquele firmamento fixo e vazio com o qual Platão também sonhou [...] Aquele brâmane chegara ao estado em que coisa alguma, excepto o seu corpo, o separava já do deus intangível, sem substância e sem forma (p. 112)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elêusis [...] Aqueles grandes ritos simbolizam apenas os acontecimentos da vida humana, mas o símbolo vai mais longe do que o acto, explica cada um dos nossos actos em termos de mecânica eterna (p. 115)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez  na minha vida fiz mais, ofereci às constelações o sacrifício de uma noite inteira[...] entreguei-me, do anoitecer à madrugada, àquele mundo de chama e de cristal. Foi a mais bela das minhas viagens. [...] conheci mais de um êxtase: há alguns atrozes e outros de uma perturbante doçura. [...] Mas a noite síria representa a minha parte consciente de imortalidade. (p. 117)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-3702025529702672097?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/3702025529702672097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=3702025529702672097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3702025529702672097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3702025529702672097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/06/tellus-stabilita-77-118.html' title='Tellus stabilita (77-118)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7555636373015086153</id><published>2009-05-28T17:06:00.008+01:00</published><updated>2009-06-07T17:16:41.621+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Varius multiplex multiformis (29-76)</title><content type='html'>&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-: PTfont-family:'Times New Roman';"&gt;O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos: minhas primeiras pátrias foram os livros. Em menor escala, as escolas. (p. 34)&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;os magísteres exerciam sobre os discípulos uma tirania que eu teria envergonhado de impor aos homens; cada um, encerrado nos estreitos limites do seu saber, desprezava os colegas que, tão estreitamentecomo eles, sabiam outra coisa. (p. 34)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;Ensinaram-me a entrar alternadamente no pensamento de cada homem, a compreender que cada um se decide, vive e morre segundo as suas próprias leis. (p. 34)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;Leotíquido [...] ensinou-me as preferir as coisas às palavras, a desconfiar das fórmulas, a observar de preferência a julgar. Este grego ensinou-me o método. (p. 36)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Pertencia a esse tipo de espíritos, tão raros, que, possuindo a fundo uma especialidade, vendo-a por assim dizer de dentro e de um ponto de vista inacessível aos profanos, conservam contudo o sentido do valor relativo na ordem das coisas e a medem em termos humanos. [...] nunca hesitava perante inovações úteis. (p. 38)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Há poucos a quem não possa ensinar-se convenientemente alguma coisa. O nosso grande erro é querer encontrar em cada um, em especial, as virtudes que ele não tem, e desinteressarmo-nos precisamente de cultivar todas aquelas que ele possui. (p. 40)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Serviano deveria ter compreendido que se não impede tão facilmente um homem resoluto de continuar o seu caminho, a não ser que se vá até o assassinato. (p. 46)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;(Trajano, imperador romano)&lt;/span&gt; Tinha encarado as minhas loucuras de rapaz com uma indignação que não era absolutamente injustificada, mas que só se encontra em família; as minhas dívidas escandalizavam-no, aliás, muito mais que os meus desatinos. Outros traços meus o inquietavam; pouco culto, tinha pelos filósofos e pelos letrados um respeito comovente, mas admirar de longe os grandes filósofos é uma coisa e ter a seu lado um jovem tenente com demasiado verniz de literatura é outra. Não sabendo onde se situavam os meus princípios, os meus limites, os meus travões, supunha-me desprovido e sem recursos contra mim mesmo. (p. 46-47)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;a maior parte das minhas pretensas proezas não passava de bravatas inúteis [...] misturado com a exaltação quase sagrada [...] o meu baixo desejo de agradar fosse por que preço fosse e de chamar a atenção sobre mim. (p. 49)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Um ser embriagado de vida não prevê a morte; ela não existe; ele nega-a em cada um dos seus gestos [...] ela não é para ele mais que um choque ou um espasmo (p. 49)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Trajano enfiou-me no dedo o anel de diamantes que ele recebera de Nera e que continuava a ser mais ou menos o sinal da sucessão no poder. Nessa noite adormeci contente. (p. 50)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:Georgia;"&gt;Havia perdido uma grande parte do meu ignóbil medo de desagradar [...] o meu tempo de braceletes e perfumes tinha passado. (p. 51)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sozinho no meu quarto, ensaiando os meus efeitos diante de um espelho, sentia-me um imperador (p. 52)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um homem que lê, ou que pensa, ou que calcula, pertence à espécie e não ao sexo; nos seus melhores momentos escapa mesmo ao humano. (p. 55)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;Sobre a mulher velha&lt;/span&gt; Reencontava o círculo estreito das mulheres, o seu duro sentido prático e o seu céu cinzento desde que o amor já lhe não dá esplendor (p.55)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Previa o futuro com bastante exactidão, coisa possível, aliás, quando se está informado acerca de um bom número de elementos relativos ao presente (p.67)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;Sobre Plotina&lt;/span&gt;  A amizade era para ela uma eleição em que se empenhava por completo, entregava-se-lhe absolutamente [...] A intimidade dos corpos, que nunca existiu entre nós, foi compensada pelo contacto de dois espíritos estritamente identificados um com o outro (p. 68)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As minhas apreensões subsistiam, mas eu dissimulava-as como se fossem crimes; ter razão cedo demais é errar. (p. 69)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os Judeus e os Árabes tinham desde o princípio feito causa comum contra uma guerra que ameaçava arruinar o seu negócio; mas Israel aproveitava-se disso para se lançar contra um mundo de que era excluído pelos seus furores religiosos, os seus ritos singulares e a intransigência do seu Deus (p. 70)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;Sobre os 40 anos&lt;/span&gt;  naquela idade, eu não existia senão aos meu próprios olhos e aos daqueles amigos que deviam por vezes duvidar de mim como eu próprio duvidava. Compreendi que poucos homens se realizam antes de morrar [...] Essa obsessão de uma vida frustrada imobilizava-me o pensamento num ponto, fixava-o como um abcesso. (p. 71)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era ainda o tempo em que ele (Trajano) não duvidava da vitória, mas, pela primeira vez, sentiu-se esmagado pela imensidade do mundo, o sentimento da idade e dos limites que nos encerram a todos (p. 72)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quantos velhos obstinados morrem sem testamento. Para eles, trata-se menos de conservar até o fim o seu tesouro ou seu império já meio desligados dos seus dedos entorpecidos, que de se não instalar demasiado cedo no estado póstumo de um homem que já não tem decisões a tomar, surpresas a causar, ameaças ou promessas a fazer aos vivos. (p. 73)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7555636373015086153?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7555636373015086153/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7555636373015086153&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7555636373015086153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7555636373015086153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/05/ii.html' title='Varius multiplex multiformis (29-76)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-6505214081613314763</id><published>2009-05-22T17:03:00.011+01:00</published><updated>2009-06-07T17:13:36.348+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias de Adriano'/><title type='text'>Anima vagula blandula (9-28)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/Sh7ERf0zcSI/AAAAAAAABsA/noAYMFIJ8w0/s1600-h/Villa+Adriana+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340922012987781410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/Sh7ERf0zcSI/AAAAAAAABsA/noAYMFIJ8w0/s320/Villa+Adriana+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Encontrei de novo num volume da correspondência de Flaubert, muito lido e sublinhado por mim pouco mais ou menos em &lt;st1:metricconverter productid="1927, a" st="on"&gt;1927, a&lt;/st1:metricconverter&gt; frase inesquecível: «&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Não existindo já os deuses&lt;/span&gt; e &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;não existindo ainda Cristo&lt;/span&gt;, houve, de Cícero a Marco Aurélio, &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;um momento único em que só existiu o homem&lt;/span&gt;». Uma grande parte da minha vida ia passar-se a definir, depois de escrever, esse homem sozinho e aliás ligado a tudo. (sublinhados meus)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;in&lt;/span&gt; Apontamentos sobre as Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar (p.225)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil permanecer imperador na presença de um médico e difícil também conservar a qualidade de homem.(p.11)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio-me esta manhã, pela primeira vez, a ideia de que o meu corpo, este fiel companheiro, este amigo mais seguro, melhor conhecido por mim que a minha alma, não passa de um monstro dissimulado, que acabará por devorar o seu dono. Basta... Amo o meu corpo; serviu-me bem e de todas as maneiras, e não lhe regateio os cuidados necessários. (p.11)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Velhice, Morte) Este fim tão próximo não é necessariamente imediato (p. 12)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixo por isso de ter chegado à idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite (p.12)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas fracções da minha vida assemelham-se já a salas desguarnecidas de um palácio demasiadamente vasto que um proprietário empobrecido renuncia a ocupar todo. (p. 13)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Vida na metáfora da caça) adolescente, a caça ao javali [...] primeiras possibilidades de encontro com o comando e o perigo [...] experiência da morte, da coragem, da piedade pelas criaturas e do prazer trágico de as ver sofrer. Homem feito, a caça repousava-me de muitas lutas secretas com adversários umas vezes demasiado espertos ou demasiado obtusos, outras vezes demasiado fracos ou demasiado fortes para mim. [...] Imperador [...] serviram-me para avaliar a coragem ou os recursos dos altos funcionários [...] Mais tarde [...] fiz das grandes batidas um pretexto de festa, (p,13)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, de cada arte praticada no seu tempo, tiro um conhecimento que me compensa em parte dos prazeres perdidos (p.13)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empanturrar-se em certos dias de festa foi sempre a ambição, a alegria e o orgulho natural dos pobres. (p.15)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer um fruto é fazer entrar em si próprio um belo objecto vivo, estranho, alimentado e favorecido como nós pela terra; é consumar um sacrifício em que nos preferimos às coisas. (p.15)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carne cozida nas noites das caçadas tinha também essa qualidade quase sacramental [...] a água bebida na concha da mão ou mesmo na nascente faz correr em nós o mais secreto sal da terra e a chuva do céu. (p.16)&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quanto aos escrúpulos religiosos […] nos períodos de jejum ritual, por exemplo, ou no decorrer das iniciações religiosas, conheci as vantagens que têm para o espírito, e os perigos também, as diferentes formas de abstinência ou mesmo de inanição voluntária, esses estádios próximos da vertigem em que o corpo, em parte deslastrado, entra num mundo para o qual não é feito e que prefigura as frias levezas da morte. Noutras ocasiões essas experiências permitiram-me apreciar a ideia do suicídio progressivo, da morte por inanição que foi a de alguns filósofos, espécie de deboche negativo em que se vai até ao esgotamento da substância humana. Mas desagradou-me sempre aderir totalmente a um sistema, e não teria querido que um escrúpulo me roubasse o direito de me empanzinar de salsicharia se por acaso me apetecesse ou se esse alimento fosse o único fácil de obter.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Os cínicos e os moralistas estão de acordo quanto a colocar as voluptuosidades do amor entre os prazeres ditos grosseiros […] Do moralista espero tudo, mas espanta-me que o cínico se engane nesse ponto. Admitamos que uns e outros tenham medo dos seus demónios, quer lhes resistam, quer se lhes abandonem, e se esforcem por aviltar o seu prazer, a fim de lhes tirar o poder quase terrível, ao qual sucumbem, e o seu estranho mistério, em que se sentem perdidos. Acreditaria nesta assimilação do amor às alegrias puramente físicas […] no dia em que visse um apreciador de bons petiscos soluçar de delícia diante do seu rato favorito, como um amante encostado a um ombro juvenil. De todos os nossos jogos é o único que pode perturbar a alma, o único também em que o jogador se abandona necessariamente ao delírio do corpo. […] a abstinência ou o excesso não aliciam senão o homem só […] o procedimento sensual nos coloca em presença do Outro, nos implica nas exigências e nas servidões da escolha.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;(p. 17-18)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As palavras enganam, visto que esta – prazer – esconde realidades contraditórias, comporta ao mesmo tempo as noções de tepidez, doçura, intimidade de corpos, e as de violência, agonia e grito. (p. 18)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Amor uma forma de iniciação, um dos pontos em que o secreto e o sagrado se encontram. (p. 18)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;o nosso amor arrasta-nos para um universo diferente, onde, noutros tempos, nos era interdito entrar onde deixamos de nos orientar desde que o ardor se extingue ou que o prazer se desenlaça. (p. 19)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. [...] Lucano, tornam-na (&lt;em&gt;a vida&lt;/em&gt;) mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros [...] como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, [...] Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros [...] Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira.(p.24)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;estes dois processos de conhecimento são difíceis e requerem, um, uma penetração no nosso íntimo, outro, uma saída de nós mesmos. (p. 26)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas repugna ao ser humano aceitar-se das mãos do acaso, não ser mais do que o produto passageiro de probabilidades a que nenhum deus preside, nem sobretudo ele próprio […]&lt;br /&gt;passa-se à procura das razões de existir, […] Foi a minha impotência para os descobrir que me fez, por vezes, inclinar para as explicações mágicas, procurar nos delírios do oculto o que o senso comum não me dava. Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros. (p. 28)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-6505214081613314763?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/6505214081613314763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=6505214081613314763&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6505214081613314763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6505214081613314763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/05/e-dificil-permanecer-imperador-na.html' title='Anima vagula blandula (9-28)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/Sh7ERf0zcSI/AAAAAAAABsA/noAYMFIJ8w0/s72-c/Villa+Adriana+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-6559783612307287710</id><published>2009-05-08T23:33:00.001+01:00</published><updated>2009-09-07T21:55:04.084+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relações'/><title type='text'>RELAÇÕES</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a name="3138189345194070898"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://favarica.blogspot.com/2009/05/relacoes.html"&gt;relações&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Passam os anos e as relações acumulam-se. Vamo-nos dando conta de que estamos mais velhos, mais experientes, melhor preparados e quase sempre mais enriquecidos, através dos laços desenvolvidos. Os amigos da rua, alguns dos quais mudam de casa muito cedo deixando apenas recordações muito ténues que se confundem com a imaginação, os colegas que aprendem connosco a escrever as primeiras palavras, os que se formam ao nosso lado e, claro, os colegas de trabalho. Há pessoas que guardamos a sete chaves, que podem até não ser aquelas que mais conviveram connosco, mas cuja relação foi marcante, por um motivo ou outro, e às vezes até são recordações inadvertidas, resultantes de experiências más, que não conseguimos apagar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As pessoas ensinam-se mutuamente a agir e reagir. Tornamo-nos mais autênticos, construimos a nossa identidade com base naquilo com que nos identificamos. As 'gentes' são o reflexo mais próximo que temos das nossas próprias acções e, com sorte, é através uns dos outros que acabamos por rejeitar o que nos desagrada e aproveitar o que reconhecemos como sendo bom, que é como quem diz a não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam, por exemplo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isto obriga a que nos respeitemos, não a que tenhamos de gostar de toda a gente. Gente que gosta de toda a gente não existe e é patético tentarmos todos ser Medardos Bons* exactamente por não sermos metades, mas inteiros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É por isso que, sem ressentimentos nem rancores, encolho os ombros à colega que, com voz afectada e melosa, de sorriso fácil e ternurento, se dirige a mim para me pedir os contactos telefónicos para um dia mais tarde, talvez... Sim talvez, respondo com um sorriso amarelo que não consigo disfarçar. Volta-me as costas e regressa ao lugar dela onde ficará por mais uns dias para depois se despedir sem que, estou segura, voltemos a cruzar-nos. Para que raio me interessa o contacto dela se sei que nada em si me aqueceu cá dentro? Aprendi, só. Foi uma relação de aprendizagem humana e não um laço afectivo consistente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por isso, muita sorte e tudo de bom no teu caminho que seguirá, certamente, coordenadas diferentes das minhas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; PUBLICADA POR FAVARICA em 7 DE MAIO DE 2009&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-6559783612307287710?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/6559783612307287710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=6559783612307287710&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6559783612307287710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6559783612307287710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/05/relacoes.html' title='RELAÇÕES'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-9219972203657796019</id><published>2009-05-04T22:39:00.004+01:00</published><updated>2009-05-04T22:47:43.856+01:00</updated><title type='text'>Faleceu Vasco Granja</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/Sf9gqRYYPzI/AAAAAAAABqs/J_N4yGPTirY/s1600-h/VascoGranja_1b%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332086763166383922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/Sf9gqRYYPzI/AAAAAAAABqs/J_N4yGPTirY/s320/VascoGranja_1b%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Embora estas novas gerações não conheçam &lt;a href="http://noticias.sapo.pt/info/artigo/992725.html"&gt;Vasco Granja&lt;/a&gt;, a verdade é que não se pode ignorar a magia que este homem, durante tantos e tantos anos, colocou nas cabecita dos, então, crianças e jovens deste país.&lt;br /&gt;Eu sou do tempo em que a televisão abria à hora de almoço e só reabria ao fim da tarde. Mas aquele momento do «lápis mágico» era só meu. O que eu adorava! Que prazer que tenho em avivar essas memórias!&lt;br /&gt;Fico feliz porque pude agradecer pessoalmente a este homem toda a alegria e fantasia que me germinou na minha cabecita. Isto passou-se há muitos anos quando me cruzei com ele num pequeno restaurante na zona de Gouveia.&lt;br /&gt;Obrigado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;KONIEC&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-9219972203657796019?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/9219972203657796019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=9219972203657796019&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/9219972203657796019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/9219972203657796019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/05/faleceu-vasco-granja.html' title='Faleceu Vasco Granja'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/Sf9gqRYYPzI/AAAAAAAABqs/J_N4yGPTirY/s72-c/VascoGranja_1b%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-2704592934851566202</id><published>2009-04-26T14:33:00.008+01:00</published><updated>2009-09-07T21:57:26.427+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='liberdade'/><title type='text'>Dia das (des)LIBERDADEs</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Celebramos este ano os 35 anos da revolução dos cravos. Com todas as controvérsias muito ao jeito da voracidade da comunicação social, mais uma vez assistimos ao mosaico diversificado do país real. Como um rio que corre a diversas correntes no seu leito, também o 25 de Abril serviu diferentes conveniências.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A par das monótonas e solitárias cerimónias oficiais, da cassete repetitiva da direita que insiste em acusar a revolução de os haver espoliado – que bem os entendemos – e das bernardas da esquerda, retivemos alguns flashes deste Portugal autêntico.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Primeiro, evidenciou-se um avolumar dos que se alhearam completamente da efeméride para se dedicarem ao ócio ou às romarias dos centros comerciais. Outro olhar recaiu nos estóicos que aderem a eventos desportivos e aclamam a revolução. No entanto, este ano, houve dois retratos que ficarão para a posteridade pela persistência de um Portugal que já Eça havia testemunhado. Um retrata o Portugal conservador de aspirações moralistas e que se afirmou &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Santa Comba Dão." st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em Santa Comba" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;em Santa Comba&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;  Dão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; Todo o seu sucesso deveu-se, claro está, à festarola com comes e bebes «ajuntou povinho como há muito não via» para compor a praça. A outra, com a religiosidade beateira, estendeu-se até à capital do Império Romano, arregimentando o rei, os enjeitados e seus correligionários, dando-lhes mais um precioso momento para aparecerem no boneco. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Ainda graças à canonização de Nuno Álvares Pereira, dizia uma idosa em resposta à avidez de um jornalista: «uns dizem que nasceu aqui, outros que nasceu &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Cernache. Não" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;em Cernache. Não&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; sei, não me recordo, sabe, não é do meu tempo». Estas percepções da intemporalidade dos factos na história caracterizam-nos como &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;portugas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;. Importante são as sensibilidades arreigadas no subconsciente nacional que têm que «vozeirar», seja pela &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;vox populi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;, seja pelos emplastros que teimam em dominar os programas de opinião das televisões. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Como denominador comum a todas estas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;idiossincrasias&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; impõe-se a liberdade ganha com esforço na madrugada de 25 de Abril de 1974, quer eles queiram, quer não.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-2704592934851566202?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/2704592934851566202/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=2704592934851566202&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2704592934851566202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2704592934851566202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/04/dia-das-desliberdades.html' title='Dia das (des)LIBERDADEs'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-8304513023708181748</id><published>2009-04-19T22:55:00.007+01:00</published><updated>2009-04-20T16:47:06.379+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Educação; para onde nos mandam.</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(51,51,51); LINE-HEIGHT: 20px"&gt;O relatório da OCDE salienta como especialmente positivas as apostas na educação profissionalmente qualificante e na valorização e qualificação da carreira docente.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(51,51,51); LINE-HEIGHT: 20px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(51,51,51); LINE-HEIGHT: 20px"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal;color:#ffffff;" &gt;Por estes tempos, assiste-se à importação das directrizes emanadas pela OCDE, implicando mudanças profundas no ensino em Portugal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal;color:#ffffff;" &gt;Um olhar mais atento pelas estatísticas e orientações do estudo da OCDE faz ressaltar uma cultura organizada segundo uma lógica marcadamente hierárquica. Os uns mandam e decidem. Os outros obedecem. Estes ideais têm correspondência na nossa política educativa com normativos infalíveis bem urdidos por mentes brilhantes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Assim, os que mandam escudam-se no seu brilhantismo douto e no sucesso &lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;hierárquico, ostentando tiques de prepotência. Aos que obedecem, pedem que executem e sigam procedimentos, se enquadrem em quadros rígidos&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;erigidos e magicamente formulados para satisfazerem um ditadura de estatísticas. Foi segundo esta perspectiva que surgiram a divisão dos professores entre titulares e professores, a avaliação pedagógica com grelhas asfixiantes carregadas de parâmetros inalcançáveis com excelência. E para que nada escape ao &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;big brother&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;, os itens de avaliação organizacionais ficam sob a tutela do director. Perfeito. Quantas manigâncias para subverter o processo ensino-aprendizagem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal;color:#ffffff;" &gt;De todo este processo ressalta que o professor é o único que nada sabe, pois sobre ele tudo recai de uma forma prescritiva ou punitiva, colando-lhe a culpa do insucesso dos alunos. Senão vejamos. A ministra emana dogmas e os gabinetes ampliam os seus desejos. Tudo inquestionável. Já os alunos detém conhecimentos e saberes que só darão insucesso por culpa da inoperância e incompetência dos professores. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal;color:#ffffff;" &gt;Foi declarado que o insucesso não existe. Os professores tornaram-se um empecilho e há que dotar as escolas de «técnicos da educação». Mas a verdade é incontornável e o tempo bom conselheiro. Muito diferente preparar os jovens para a vida, do que prepará-los para o mercado de trabalho. Para já, há os que proferem discursos e os que diferem. Há os que verborreiam e os que não os entendem. Alguém anda a falar sozinho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-8304513023708181748?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/8304513023708181748/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=8304513023708181748&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/8304513023708181748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/8304513023708181748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/04/educacao-para-onde-nos-mandam.html' title='Educação; para onde nos mandam.'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7210495271176793662</id><published>2009-04-05T22:26:00.003+01:00</published><updated>2009-04-05T22:30:53.673+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escola'/><title type='text'>Contra a escola-armazém</title><content type='html'>Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.&lt;br /&gt;Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo.&lt;br /&gt;Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.&lt;br /&gt;Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.&lt;br /&gt;Daniel SampaioPÚBLICO Comunicação Social SA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7210495271176793662?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7210495271176793662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7210495271176793662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7210495271176793662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7210495271176793662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/04/contra-escola-armazem.html' title='Contra a escola-armazém'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-994648099946521964</id><published>2009-03-08T14:28:00.010Z</published><updated>2009-03-08T14:45:34.601Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escalada'/><title type='text'>Escalada Desportiva</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Índice&lt;br /&gt;1 - Historia da escalada desportiva&lt;br /&gt;2 - Modalidades da escalada&lt;br /&gt;3 - Técnicas e modos de escalar&lt;br /&gt;4 - O equipamento&lt;br /&gt;5 - Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. História da escalada desportiva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos anos e de modo a ultrapassar os vários tipos de obstáculos, a escalada foi desenvolvendo as mais variadas técnicas e estilos.&lt;br /&gt;A história da escalada desportiva (em rochas ou paredes artificiais), teve início nos anos 70, quando um senhor teve a ideia de pendurar pedras na sua parede de casa, para na época mais fria poder praticar.&lt;br /&gt;As paredes artificiais surgiram na Europa com o objectivo de substituir a rocha nos períodos mais frios do ano.&lt;br /&gt;Com o surgimento desta modalidade, a vertente competitiva da escalada mudou, em 1985 foi realizado em Itália o primeiro campeonato mundial. Em 1987 foi realizado o primeiro campeonato em parede artificial. Sendo criada a taça do mundo de Escalada Desportiva em 1990, e dois anos mais tarde nas Olimpíadas de Barcelona, foi finalmente consagrada a modalidade; quando foi praticada como demonstração.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;2. Modalidades da escalada &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Existem muitas modalidades de escalada e neste trabalho apresentam-se algumas para perceberem como a escalada tem muitas vertentes.&lt;br /&gt;Escalada desportiva: esta modalidade é realizada em rocha ou em paredes artificiais e explora as qualidades físicas, técnicas e psicológicas dos praticantes.&lt;br /&gt;Escalada desportiva indoor / parede artificial: esta modalidade é uma simulação de escalada em rocha, a diferença é que aqui o praticante sobe paredes preparadas com agarras/presas, simulando pedaços de pedra. As dificuldades nos movimentos são semelhantes às das rochas naturais.&lt;br /&gt;Escalada em Big Wall: a duração desta modalidade pode ser de vários dias, e é normalmente praticada em grupo. Esta variante pode exigir que o grupo praticante tenha de dormir ancorado nas paredes, utilizando tendas especiais. Alem de tudo este tipo de escalada exige grande técnica de escalada livre e artificial. É sem duvida um desporto para montanhistas mais experientes.&lt;br /&gt;Escalada solo: faz-se sem cordas, arnês ou qualquer outro equipamento de segurança. Esta modalidade é para poucos praticantes, só deve ser executada pelos mais experientes, pois um erro e pode ser fatal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;3. Técnicas e modos de escalar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Escala é conseguir encontrar soluções de progressão eficazes sobre o plano que se estende por cima da nossa cabeças. Pode-se entender este desafio como um jogo de estratégia.&lt;br /&gt;• O objectivo do jogo é encontrar uma solução para chegar ao topo (final da via de escalada);&lt;br /&gt;• Os instrumentos do jogador são as suas capacidades e características tais com a altura, a envergadura, a flexibilidade, a força, a inteligência entre outras;&lt;br /&gt;• A estratégia é adequar as capacidades do praticante às dificuldades impostas pelo obstáculo.&lt;br /&gt;Também já houve quem lhe chamasse o “Bailado Vertical”. O bailado está na eficiência do movimento, progredir da forma mais simples possível e com o mínimo de esforço como se não custasse nada!&lt;br /&gt;A utilização dos pés é a técnica que talvez permite mais facilmente identificar a perícia do participante. Ao escalar deve-se ter a preocupação de procurar sempre bons apoios e, sobre eles, colocar os pés com a maior precisão possível – “como se os pés tivessem olhinhos!”. Depois de bem apoiados deve-se tentar adequar a posição corporal de forma a descarregar sobre eles a maior quantidade do peso, aliviando assim a força exercida pelas mãos e os braços.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;4. O equipamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O equipamento para praticar escalada é:&lt;br /&gt;Arnês: Utiliza-se para unir o corpo do praticante á parede e bem justo;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310825781508123106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 112px; CURSOR: hand; HEIGHT: 116px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPX6QrHKeI/AAAAAAAABmU/67W9SHC6TDo/s320/im2" border="0" /&gt;  &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cordas dinâmicas: são elásticas de forma a absorver grande parte da energia, para que em caso de uma queda, o corpo não sofra esticões que provoquem lesões na coluna;&lt;br /&gt;Mosquetão: serve para ligar o arnês à corda; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310825868134672194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 95px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPX_TYfZ0I/AAAAAAAABmc/srX7ONu9REk/s320/im3" border="0" /&gt;Gri – gri: é um aparelho mecânico criado para dar segurança. Serve para “fazer” subir e descer os praticantes, utilizado em conjunto com as cordas; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310825946537781826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 97px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPYD3dP6kI/AAAAAAAABmk/c-3KBCRRC-g/s320/im4" border="0" /&gt;Oito: serve para provocar atrito na corda. O seu funcionamento é idêntico ao do gri-gri mas não é automático;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310827754547930178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 97px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPZtG0dZEI/AAAAAAAABnM/LDmUaAkNyCo/s320/im5" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pés-de-gato: sapatos firmes e ajustados aos pés, servem para uma melhor aderência; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310826103523244466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 145px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPYNARf-bI/AAAAAAAABm0/XdO_xuoPy9U/s320/im6" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Saco de magnésio: serve para transportar o magnésio, para poder ser usado durante a subida, evitando a humidade nas mãos e facilitando a aderência ás paredes; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310826177946296642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 85px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPYRVhVoUI/AAAAAAAABm8/2JIPJAi49pA/s320/im7" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O capacete: esta protecção é indispensável, pois protege a cabeça do praticante da queda de pequenas pedras ou outros objectos.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310826243911148642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 77px; CURSOR: hand; HEIGHT: 96px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPYVLQlZGI/AAAAAAAABnE/8fTvIw5cCnQ/s320/im8" border="0" /&gt; Isto é o equipamento necessário para a pratica de escalada com segurança.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;5. Bibliografia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Federações de escalada:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.fcmportugal.com/"&gt;http://www.fcmportugal.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.uiaa.ch/"&gt;http://www.uiaa.ch/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lojas online:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.econauta.com/"&gt;http://www.econauta.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.aresta.com/"&gt;http://www.aresta.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.barrabes.com/"&gt;http://www.barrabes.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Lopes da Silva Página 1 de 7&lt;br /&gt;11º - Turma 5 - Nº 5&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-994648099946521964?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/994648099946521964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=994648099946521964&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/994648099946521964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/994648099946521964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/03/escalada-desportiva.html' title='Escalada Desportiva'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SbPX6QrHKeI/AAAAAAAABmU/67W9SHC6TDo/s72-c/im2' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-1352622400790042125</id><published>2009-02-19T22:04:00.007Z</published><updated>2009-03-05T15:43:24.504Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carnaval'/><title type='text'>CARNAVALIZAÇÃO</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3jje4dG0I/AAAAAAAABko/L-M1rylbBB0/s1600-h/carnaval2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Mikhail Bakhtin no seu livro: «Problemas da Poética de Dostoiewski» apresentou a base da sua teoria de crítica literária da carnavalização. Esta leitura crítica de abordagem ao texto literário salienta que há textos elaborados sob o signo da carnavalização. Segundo ele, há textos que mostram a cultura de um povo pondo em evidência os elementos cómicos e paródicos proporcionados pelo insconsciente social manifestados nos rituais de máscaras, no riso, no grotesco, nas festas, nas orgias, nos rituais religiosos, &lt;strong&gt;no carnaval&lt;/strong&gt;, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A carnavalização, segundo Bakhtin, pode ser entendida como um desvio e também como uma inversão dos costumes instituidos, sobrepondo o sagrado e o profano, o velho e o novo, não respeitando as normas de interdição social. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt; A carnavalização é, de alguma maneira, o mundo às avessas e pode ter a leitura de uma parodiação do quotidiano. Ao longo da história podemos constatar vários momentos de carnavalização, como é o caso da pintura de Jerônimo Bosch e também a de Breughel, o Velho. Também Mozart, na sua ópera: «Don Giovanni» (Don Juan) apresenta uma inversão do curso normal da vida carnavalesca de Don Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;BAKHTIN, Mikhail (2005) &lt;em&gt;Problemas da Poética de Dostoewski,&lt;/em&gt; Tradução de Paulo Bezerra, Rio de Janeiro, Ed. Forense, Universitária.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FERREIRA, João, Outubro de 2001, &lt;a href="http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=3796&amp;amp;cat=Artigos&amp;amp;vinda=S"&gt;http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=3796&amp;amp;cat=Artigos&amp;amp;vinda=S&lt;/a&gt; 19 de Fevereiro de 2009.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304914021911629666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 241px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ7XMkAID2I/AAAAAAAABlM/W6MbuGabpBI/s320/Jeronimo+Bosh.jpg" border="0" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-1352622400790042125?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/1352622400790042125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=1352622400790042125&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/1352622400790042125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/1352622400790042125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/02/carnavalizacao.html' title='CARNAVALIZAÇÃO'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ7XMkAID2I/AAAAAAAABlM/W6MbuGabpBI/s72-c/Jeronimo+Bosh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7545022138567211785</id><published>2009-02-03T17:36:00.003Z</published><updated>2009-09-07T21:58:46.110+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='liberdade'/><title type='text'>Um momento de liberdade.</title><content type='html'>CLICA AQUI PARA TE SURPREENDERES&lt;br /&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=1778399&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;sh" target="_blank"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000000;"&gt;http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=1778399&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;sh&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7545022138567211785?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7545022138567211785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7545022138567211785&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7545022138567211785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7545022138567211785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/02/um-momento-de-liberdade.html' title='Um momento de liberdade.'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-2433474071161717801</id><published>2009-01-19T22:11:00.006Z</published><updated>2009-01-19T22:22:32.840Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mia Couto'/><title type='text'>Educação para a PAZ. E se Obama fosse africano? ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SXT9EON8ExI/AAAAAAAAAnw/ojQiEzUiBjo/s1600-h/barack-obama-mosaic-portrait.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293133711045038866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 262px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SXT9EON8ExI/AAAAAAAAAnw/ojQiEzUiBjo/s320/barack-obama-mosaic-portrait.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SXT6xWjuwwI/AAAAAAAAAng/I1YXqqnj4xE/s1600-h/Mia+Couto.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por Mia Couto (escritor moçambicano) &lt;a href="http://educacaopelapaz.googlepages.com/Mia.JPG/Mia-full;init:.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles.Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor.Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão:habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversosrecantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegamdesse outro lado do mundo.Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África.Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato.Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu própriorosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aosmoralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso deagradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos.Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com umqualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.Inconclusivas conclusõesFique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmosmoçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - aspessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa. Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de politicos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política.Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.Semanário Moçambicano "SAVANA" - 14 de Novembro de 2008&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-2433474071161717801?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/2433474071161717801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=2433474071161717801&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2433474071161717801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2433474071161717801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/01/por-mia-couto-escritor-moambicano-os_19.html' title='Educação para a PAZ. E se Obama fosse africano? ...'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SXT9EON8ExI/AAAAAAAAAnw/ojQiEzUiBjo/s72-c/barack-obama-mosaic-portrait.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-6925387736197084153</id><published>2009-01-11T21:53:00.002Z</published><updated>2009-01-11T21:59:56.987Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Professor'/><title type='text'>Educação: os critérios da excelência Lídia Jorge - Público - 2009.01.09</title><content type='html'>A titularidade foi dada a professores bons, excelentes, maus e muito maus. Não premiou nada, porque baralhou tudo.&lt;br /&gt;1.Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita - e só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio - que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.&lt;br /&gt;2.Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.&lt;br /&gt;3.O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares - eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?&lt;br /&gt;4.Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.&lt;br /&gt;5.José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-6925387736197084153?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/6925387736197084153/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=6925387736197084153&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6925387736197084153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/6925387736197084153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2009/01/educao-os-critrios-da-excelncia-ldia.html' title='Educação: os critérios da excelência Lídia Jorge - Público - 2009.01.09'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-4177896202143046717</id><published>2008-12-09T16:37:00.004Z</published><updated>2008-12-09T22:35:51.178Z</updated><title type='text'>Um Natal com tradição</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/ST6gCYLBWwI/AAAAAAAAAmA/Teh7WoWtBAA/s1600-h/Historia22.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277831776033659650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/ST6gCYLBWwI/AAAAAAAAAmA/Teh7WoWtBAA/s320/Historia22.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este ano, proponho vivermos esta quadra com mais tradição, incluindo o presépio cheio de figuras, sem esquecer o anjinho e o pastor com as ovelhas. Tudo isto porque acredito ser um caminho, uma força contrária ao pessimismo dominante, que teima em abafar as esperanças das pessoas.&lt;br /&gt;Nestes últimos anos, temos assistido a um envergonhar do humanismo, valorizando-se um &lt;em&gt;cool &lt;/em&gt;de modismos tecnológicos e máscaras narcísicas.&lt;br /&gt;Na realidade, fartei-me há muito dos brinquedos fúteis que alienam a inteligência das nossas crianças e dos nossos jovens, atirando-os para a solidão ou fechando-os num mundo de fantasia duvidosa e de autosatisfação fugaz. Temo-nos alimentado na feira de brinquedos que, com cores e efeitos mágicos, vão preenchendo momentos do quotidiano adormecido sem, contudo, darem sentido à vida no seu global.&lt;br /&gt;Nesta mesma gula se embrenham os adultos em seguir ditames de publicidades, numa obsessiva perseguição de modelos gastos e escravizantes.&lt;br /&gt;É esta a hora de mudança. Importa parar e flectir num sentido humanista, deixando cair a máscara narcísica que nos cega. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para alcançarmos este objectivo, exige-se o encontro com o outro que se senta a nosso lado, que está disponível para partilhar as nossas angústias, alegrias, raivas e tristezas. É urgente trazer para o centro do nosso mundo o humanismo, o calor do abraço, o sabor do beijo, a carícia da palavra e tudo numa gratuitidade de troca.&lt;br /&gt;Mas esta caminhada não é peregrina nem solitária. Ainda agora, milhões de americanos falaram pela voz de Obama, que no seu discurso de vitória disse o evidente: «façamos um pedido a um novo espírito […] de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro […] não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões nos tenham colocado sob tensão, não devem romper os nossos laços de afecto». Quero ainda sublinhar a conclusão do seu discurso, quando sublinha: «E quando nos encontrarmos com o cepticismo e as dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Yes, we can». &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nada desta consciência humanista é nova. Na mesma comunhão, relembro o discurso de Charlie Chaplin no seu filme &lt;em&gt;O grande Ditador&lt;/em&gt;, de 1940, que já alertava, com mais veemência, para os mesmos vícios e defeitos do homem moderno: «pensamos demais e sentimos muito pouco [...] mais do que de máquinas precisamos de humanidade».&lt;br /&gt;Quero, portanto, reafirmar um Natal tradicional. Para os que se reforçam na fé, será um renovar de laços e reavivar a esperança no nascimento de uma criança, acrescida do seu carácter regenerador e salvador. Já os que não crêem podem sempre deixar-se seduzir pela narrativa e viver o conto numa representação conjunta com os mais novos, deliciando-se a bincar no faz de conta durante a construção do presépio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A todos um bom Natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-4177896202143046717?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/4177896202143046717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=4177896202143046717&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4177896202143046717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/4177896202143046717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/12/um-natal-com-tradio.html' title='Um Natal com tradição'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/ST6gCYLBWwI/AAAAAAAAAmA/Teh7WoWtBAA/s72-c/Historia22.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-3513114703990156767</id><published>2008-11-24T13:15:00.001Z</published><updated>2008-11-24T13:19:52.442Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Da Matemática, com Ron Aharoni, Professor universitário</title><content type='html'>Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008&lt;br /&gt;&lt;a name="5001418416032802077"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ron Aharoni é professor universitário ligado à Matemática. O problema do ensino desta disciplina levou-o a optar por leccioná-la a alunos do 1º ciclo a fim de chegar a algumas conclusões. Passou por Portugal a propósito de um colóquio que a Fundação Gulbenkian está a promover sobre o ensino da Matemática. O Público entrevistou-o e na conversa há verdades que deveriam saltar para a vida…&lt;br /&gt;O QUE É A MATEMÁTICA – «(..) Antes de mais, é preciso perceber que a Matemática é sobre coisas concretas e que a abstracção vem depois. Outro segredo importante é que a Matemática deve ser aprendida por etapas e nenhuma deve ser deixada para trás, porque se isso acontecer não vamos conseguir compreender o que se segue. (…)»&lt;br /&gt;MANUAIS ESCOLARES - «(…) O principal caminho para ensinar os professores é através dos bons manuais escolares. Os manuais que existem vão na direcção errada, porque promovem actividades divertidas e a aprendizagem fica perdida. O problema é que os livros saltam etapas ou seguem teorias modernas. O que é preciso é que os manuais reflictam a Matemática, a sua essência, o que é e não teorias. (…)»&lt;br /&gt;DIVERTIR OU COMPREENDER - «(…) as crianças não precisam de estar divertidas, elas precisam de compreender e só se o fizerem é que aprendem a gostar. A Matemática não tem que ser divertida, mas compreendida. (…)»&lt;br /&gt;TABUADA - «(…) Se cada vez que queremos escrever uma carta tivermos que pensar como é que se juntam as letras... Para a Matemática o raciocínio é o mesmo: é preciso ter automatismos e a tabuada é essencial. Os pais podem ajudar os filhos a aprender, por exemplo, a dizê-la de trás para a frente. (…)»&lt;br /&gt;EXACTIDÃO NAS FORMULAÇÕES - «(…) Outra coisa muito importante e que sempre ensinei aos meus três filhos é: ser preciso nas formulações, dizer correcta e claramente o que se quer dizer, nunca deixar os outros adivinharem o que se quer dizer, mas usar as palavras certas. (…)»&lt;br /&gt;CALCULADORAS - «(…) Calculadoras? Atirem-nas para o lixo! Houve revoluções terríveis na escola e essa foi uma delas. Fazer cálculos é muito importante e não é uma coisa estúpida ou inútil, e que, por isso, se deve recorrer à máquina. Fazer cálculos significa compreender o sistema decimal. Usar uma calculadora na aula de Matemática é como pôr os alunos a conduzir automóveis em vez de correrem na aula de Educação Física. Quando pergunto a um aluno quanto é 10+10 e responde, mas precisa da calculadora para saber quanto é 10+11, então, ele não compreendeu qualquer coisa quando aprendeu, que precisa de saber e não é com o recurso à máquina que aprende. (…)»&lt;br /&gt;PROFESSORES E COMPUTADORES - «(…) Sabemos que o cérebro das crianças é completamente diferente e que trabalha muito rapidamente. Se elas podem aprender com o computador? Todas as tentativas feitas até hoje nesse sentido falharam. Não sei se porque as crianças preferem brincar no computador do que trabalhar... Penso que no 1.º ciclo o contacto com o professor é o mais importante. (…)»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-3513114703990156767?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/3513114703990156767/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=3513114703990156767&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3513114703990156767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3513114703990156767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/11/da-matemtica-com-ron-aharoni-professor.html' title='Da Matemática, com Ron Aharoni, Professor universitário'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-2191279840229988642</id><published>2008-11-24T12:58:00.000Z</published><updated>2008-11-24T12:59:31.662Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Professor'/><title type='text'>A(s) turma(s)</title><content type='html'>09.11.2008, Daniel Sampaio&lt;br /&gt;O que mais impressiona no filme A Turma, de Laurent Cantet, é o impasse a que chegou a escola dos nossos dias. Dar aulas no básico ou secundário é hoje um permanente desafio que só é resolvido (em parte) por professores com muito amor ao que fazem e com a sorte de trabalhar em escolas que ousam inovar todos os dias.A Turma mostra-nos como a improvisação constante é a única maneira de sobreviver ao caos, embora também nos faça pensar como é cada vez mais importante planificar. Nada de contraditório: é preciso planificar em termos de conjunto - a turma que o professor vai encontrar no dia seguinte - mas o mestre tem de estar disponível para responder de imediato à retroacção trazida pelos alunos em todos os momentos da aula. Por isso, o professor do filme decerto prepara as suas lições, mas tem de ter resposta pronta e improvisar: nunca o vemos calado ou a evitar as questões e a sua relação muito viva com os estudantes permite, apesar de todas as dificuldades, manter a classe a funcionar. Improvisar é isso mesmo, a demonstração permanente da capacidade de modificar planos e actividades em resposta às reacções dos alunos, mantendo-os despertos e participativos.&lt;br /&gt;A heterogeneidade da turma do filme parece ser fonte de inspiração para o docente, que consegue com mais ou menos sucesso relacionar-se com todos, na procura constante de soluções para uma das tarefas fundamentais da escola de hoje: a da inclusão. O professor Bégaudeau mostra como a preocupação em incluir é a única forma de percorrer na escola um caminho de dignidade, porque por certo já chegou à conclusão de que todos os alunos têm capacidade de contribuir para a respectiva aprendizagem. E também se evidencia no filme como é imperioso trabalhar na sala de aula com formas diferentes das tradicionais: já imaginaram o que sucederia naquela turma se o professor falasse sem parar durante 90 minutos, apontando com o dedo uma transparência iluminada pelo velho retroprojector, como vemos ainda em tantas das nossas aulas? Nalgumas discussões sobre A Turma promovidas pela imprensa portuguesa, impressiona verificar como estudantes, pais e professores se apressam a dizer que por cá as coisas estão melhor, porque jamais se perguntaria se um professor é homossexual; muitos dizem que em Portugal não há tantos jovens na escola com origens diferentes, nem se poderia encontrar um professor "ao nível" dos alunos, como nas discussões patentes no filme. Quem assim fala desconhece as dificuldades dos nossos professores, ignora as turmas com estudantes de nacionalidades diferentes que mal falam português, ou faz de conta perante os inúmeros problemas sociais e familiares que muitos alunos trazem para a sala de aula. Pior: acredita que a autoridade do professor se pode construir "de cima para baixo", porque é imanente à própria condição docente. Grande equívoco: o que este filme exemplarmente demonstra é que o professor se coloca num nível diferente, porque usa o diálogo, a ironia e a provocação da gente nova como um meio de relacionamento, sem esquecer que o respeito recíproco é um dos ingredientes essenciais para ser ouvido. E neste sentido ele está noutro nível (se quisermos num nível meta, de metacomunicar, isto é, está sempre a comunicar sobre a comunicação dos jovens), o que lhe permite encontrar soluções, mesmo se para isso tiver de errar e corrigir os erros.O impasse da escola actual resulta de se encontrar esgotado o modelo tradicional de ensinar, organizado para instruir o aluno médio e com razoável motivação. Muitos dos estudantes das nossas salas de aula estão lá por obrigação ou porque não encontram nada melhor para fazer: por isso o único caminho terá de ser o de promover uma análise detalhada dos componentes curriculares, de modo a definir o que deve ser comum a todos e quais os elementos que necessitam ser modificados para responder às necessidades dos alunos com mais problemas, num ambiente de trabalho exigente e cooperativo, onde a autoridade do professor (que jamais poderá ser posta em causa) se construa na relação (como no filme).Alguns espectadores portugueses ficam chocados quando os alunos relatam, no final do ano lectivo, o pouco que aprenderam: não é esta a grande questão, por certo mais importante do que a avaliação dos docentes que paralisa as nossas escolas? A&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-2191279840229988642?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/2191279840229988642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=2191279840229988642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2191279840229988642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2191279840229988642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/11/as-turmas.html' title='A(s) turma(s)'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-7688070645949905708</id><published>2008-11-21T16:53:00.009Z</published><updated>2008-11-21T17:17:25.019Z</updated><title type='text'>Como avaliar?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271155511045556658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSboAm-2ibI/AAAAAAAAAlo/G2eFtWNRvlE/s320/cria5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Não se pode formar e ensinar todos os jovens para depois limitar a apenas alguns o acesso à excelência .&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271155319469574882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbn1dTlCuI/AAAAAAAAAlY/tC4SHdf4pHY/s320/cria3.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Quando interrogado pelos meus alunos sobre as razões dos protestos dos professores, expliquei:&lt;br /&gt;eu vou ser avaliado pelo Conselho executivo; por um colega meu, pelas avaliações que farei aos alunos, pela confrontação dessas notas com as notas que esses alunos conseguirem nos exames...&lt;br /&gt;Aí, eles protestaram: - Eh professor, tanta gente, tanta coisa!&lt;br /&gt;Porém, insisti: - Imaginem que aqui, na turma, há dez alunos com avaliação de 5, mas que eu só posso dar dois níveis 5.&lt;br /&gt;Bom, nesse momento, uns riram-se porque achavam que eu estava a brincar e a gozar com eles, outros protestaram fortemente porque acharam injusto que alguém pudesse, em algum momento, fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbn6ArzpyI/AAAAAAAAAlg/_sh0BQDBXZA/s1600-h/cr4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271155397685913378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbn6ArzpyI/AAAAAAAAAlg/_sh0BQDBXZA/s320/cr4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbnu967lZI/AAAAAAAAAlQ/ieZp3PH_CGw/s1600-h/cria2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271155207965480338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbnu967lZI/AAAAAAAAAlQ/ieZp3PH_CGw/s320/cria2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbno-haFHI/AAAAAAAAAlI/MwggNlm0_Kg/s1600-h/cria1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271155105047647346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSbno-haFHI/AAAAAAAAAlI/MwggNlm0_Kg/s320/cria1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-7688070645949905708?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/7688070645949905708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=7688070645949905708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7688070645949905708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/7688070645949905708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/11/avaliar.html' title='Como avaliar?'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SSboAm-2ibI/AAAAAAAAAlo/G2eFtWNRvlE/s72-c/cria5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-2518278851998818515</id><published>2008-11-09T08:56:00.007Z</published><updated>2010-01-25T09:44:07.006Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mestrado'/><title type='text'>O ABSURDO OU O DIÁLOGO DOS POSSÍVEIS EM GUIMARÃES ROSA E MIA COUTO</title><content type='html'>O ABSURDO OU O DIÁLOGO DOS POSSÍVEIS EM GUIMARÃES ROSA E MIA COUTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM LITERATURAS LUSÓFONAS COMPARADAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sumário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Constitui objectivo do presente trabalho apreender as manifestações do absurdo plasmadas na ficção de João Guimarães Rosa e Mia Couto, procurando fixar semelhanças e diferenças das mesmas figurações.&lt;br /&gt;Assim, no primeiro capítulo, procurámos pôr em evidência a ruptura literária de cada escritor contextualizado no universo literário do seu país.&lt;br /&gt;No segundo capítulo, procurámos identificar intertextualidades sob um enquadramento comparatista, aproximando campos temáticos no universo da lusofonia.&lt;br /&gt;Em seguida, no capítulo terceiro, procedemos a uma reflexão dedicada ao conceito do absurdo, sob o prisma da filosofia.&lt;br /&gt;Por fim, no quarto capítulo, analisámos o horizonte textual, procurando fazer o levantamento dos elementos que nos permitissem chegar às figurações do absurdo.&lt;br /&gt;Nas conclusões, procurámos sistematizar as ideias mais importantes que aproximam e diferenciam os escritores em causa face ao tema do absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abstract&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;The main object of this work is to study the revelation of the absurd in João Guimarães Rosa and Mia Couto’s fiction, by trying to fix similarities and contrasts within both moments of creation.&lt;br /&gt;Thus, in the first chapter we tried to enhance the literary rupture of both writers, each of them contextualized in his country literary universe.&lt;br /&gt;In the second chapter we tried to identify crossing textual features under a comparative framing, approaching common themes within the Luso-Brazilian universe.&lt;br /&gt;Later in the third chapter we made a reflection about the concept of the absurd from the philosophic point of view.&lt;br /&gt;Finally, in the fourth chapter, we proceeded to the analysis of textual horizon, making a survey on the elements that could help us reach the absurd in both writers’ work.&lt;br /&gt;In the conclusion chapter we systematized the ideas that most bind or deviate from these writers’ own path in what concerns the absurd.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'"&gt;Inhaltsangabe&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Das hauptsächlichste Objekt dieser Arbeit ist die Enthüllung des Unsinns in João Guimarães Rosa und Mia Couto’s Fiktion zu studieren.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Dafür werden wir die Ähnlichkeiten und die Verschiedenheiten dieser Literaturwerken versuchen zu befestigen.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'; mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Daher, am ersten Kapitel haben wir das literarische Bruch jeder Schriftsteller innerhalb der literarischer Welt ihres Landes im Offenkundigkeiten versucht zu stellen.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'; mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Am zweiten Kapitel haben wir die Kreuzung der Ansichten der Texten unter einem vergleichenden Rahmen und gleichzeitig allgemeine Themen innerhalb des portuguiesischen-brasilianischen Weltall annähern versucht zu identifizieren.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'; mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Später, am dritten Kapitel haben wir eine Reflexion über dem Begriff des Unsinns unter einem philosophischen Prisma gemacht.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'; mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Zuletzt, am vierten Kapitel haben wir den Horizont der Texten analysiert und die Aufstellung der Elementen die uns helfen würden das Unsinn beider Schriftstellern studiert.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'; mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Am Abschluss Kapitel haben wir die Ideen dieser Schriftstellern die ihnen mehr oder weniger annähern und unterscheiden hinsichtlich dieses Thema des Unsinns systematisch dargestellt.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'; mso-ansi-language: DE" lang="DE"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-2518278851998818515?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/2518278851998818515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=2518278851998818515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2518278851998818515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/2518278851998818515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/11/o-absurdo-ou-o-dilogo-dos-possveis-em.html' title='O ABSURDO OU O DIÁLOGO DOS POSSÍVEIS EM GUIMARÃES ROSA E MIA COUTO'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-3504309258163353604</id><published>2008-11-04T22:46:00.005Z</published><updated>2008-11-09T09:06:04.668Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Crónica de Manuel António Pina, Jornal de Notícias</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma dupla obrigação obriga-me a colocar aqui esta opinião, a de pai, mas sobretudo a de professor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos. 'Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável 'pastiche' de Woody Allen 'Para acabar de vez com o ensino', a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.&lt;br /&gt;Os professores falam de 'desmotivação', de 'frustração', de 'saturação', de 'desconsideração cada vez maior relativamente à profissão', de 'se sentirem a mais' em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?'&lt;br /&gt;Manuel António Pina&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-3504309258163353604?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/3504309258163353604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=3504309258163353604&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3504309258163353604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3504309258163353604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/11/crnica-de-manuel-antnio-pina-jornal-de.html' title='Crónica de Manuel António Pina, Jornal de Notícias'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-8932950799200918407</id><published>2008-11-02T21:51:00.010Z</published><updated>2008-11-09T09:05:20.667Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Que futuro para a educação?</title><content type='html'>Confusos e agitados andam estes tempos. Neste momento, interrogo-me para onde caminha a educação e como percorre ela esse caminho.&lt;br /&gt;Na semana passada, o Diário de Notícias contribuiu com alguma luz ao transcrever a entrevista do nosso primeiro ministro, completando no dossier da educação com um estudo sobre os gastos do governo tanto na escola pública, do ensino básico ao superior, como com os custos dos cursos de formação das novas oportunidades.&lt;br /&gt;Ao confrontar algumas afirmações, não me restaram dúvidas de que a escolaridade obrigatória até ao 12º ano entrará em vigor após as eleições de 2009. Este grande objectivo impõe-se inexoravelmente e, na minha óptica, concordo plenamente. Na verdade, a escola deve procurar a inclusão de todos os jovens e proporcionar-lhes uma matriz educativa que lhes proporcione um conjunto de ferramentas para a sua vida adulta.&lt;br /&gt;Já a celeridade com que o processo avança é que, sinceramente, não me convence, despertando-me duas pequenas notas de apontamento. Senão vejamos.&lt;br /&gt;Primeiro, o primado do economicismo, que norteia quem governa, é asfixiante. Segundo o estudo, um aluno, que frequente os cursos das novas oportunidades, custa três vezes mais do que um aluno universitário. Daqui compreendo a lisura com que se atribuem equivalências e diplomas, a fim de fugir à estatísticas negras que fomos acumulando ao longo de muitos anos. De processos pouco sérios, já Almeida Garrett se lamentava ironicamente: «foge cão que te fazem barão».&lt;br /&gt;Segundo, o processo kafquiano de avaliação que recai sobre os professores, condicionando a sua progressão na carreira com o sucesso de avalição que ele faz dos seus alunos, força à progressão de todos os alunos, ao mesmo tempo que limita ao mínimo os gastos com os incentivos aos professores. É o tempo dos &lt;em&gt;Chicos espertos,&lt;/em&gt; ou seja, «matar dois coelhos de uma cajadada»&lt;br /&gt;Torna-se evidente que o governo quer rapidamente diplomar os que ultrapassaram a idade para frequentar a escola. Mas o que se adivinha e me preocupa é a obsessão do ministério em normalizar todos os alunos e em &lt;em&gt;encerrá-los&lt;/em&gt; nas escolas, sem que estas estejam preparadas para alunos que rejeitam a instituição escola, não aceitam normas e cultivam atitudes anti-sociais. Já para não falar nos que vêm referenciados com cadastro criminal, não esquecendo também os alunos que, não sabendo qualquer palavra portuguesa, são integrados sem critério algum em niveis de escolaridade desajustados.&lt;br /&gt;É esta precipitação de sucesso por decreto e por coacção que não deixa antever nada de bom para as escolas e muito menos para os professores. A violência é uma das imediatas consequências que se impõe deste caminhar por atalhos. Todavia, outro fenómeno precoce se verifica, é que muitos professores colocados nas cíclicas e que já possuem experiência de ensino abandonam a educação delapidando o futuro próximo de entrada de novos docentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-8932950799200918407?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/8932950799200918407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=8932950799200918407&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/8932950799200918407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/8932950799200918407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/11/que-futuro-para-educao.html' title='Que futuro para a educação?'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-3852320961818531902</id><published>2008-10-28T22:29:00.007Z</published><updated>2008-10-30T08:55:23.335Z</updated><title type='text'>A voz às mulheres e homens do futuro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SQiCHjT219I/AAAAAAAAAgw/QIWTTMIHgxs/s1600-h/imagoesc.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262599230831646674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 164px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SQiCHjT219I/AAAAAAAAAgw/QIWTTMIHgxs/s320/imagoesc.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Aqui fica a minha congratulação pelo civismo, organização e dinâmica que os alunos da minha escola revelaram na sua inequívoca tomada de posição sobre a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Registos noticiosos:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Podem ver a reportagem da SIC neste endereço:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Alunos+fecham+escola+em+protesto+contra+inseguranca.htm"&gt;http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Alunos+fecham+escola+em+protesto+contra+inseguranca.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alunos fecham escola em protesto contra insegurança&lt;br /&gt;Os alunos de uma escola na Amadora fecharam as portas a cadeado em protesto contra a falta de segurança. O conselho executivo garante não ter registos de violência, mas os pais falam num esfaqueamento recente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;SIC&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;29 Outubro 2008 - 00h30 Correio da Manhã&lt;br /&gt;Educação: Escola Secundária Mães d’Água na Falagueira, Amadora&lt;br /&gt;Alunos em greve contra a violência&lt;br /&gt;Os alunos da Escola Secundária Mães D’água, na Falagueira, Amadora, fizeram ontem greve às aulas, em protesto contra casos de violência que se vêm sucedendo, exigindo reforço de policiamento e mais funcionários. A gota-d’água foi o esfaqueamento de um aluno à porta da escola há uma semana.&lt;br /&gt;Todos responsabilizam moradores da Quinta da Laje e Casal do Silva, dois bairros junto à escola. "São gangs que actuam fora e dentro da escola." E dizem que a polícia nunca aparece. A presidente da Comissão Provisória, Maria João Ferreira, diz que a escola passou de 700 para 935 alunos, mas os funcionários são os mesmos 19. "Já pedimos ao Ministério da Educação mais oito", disse ao CM, frisando, porém, que "não há um problema grave de indisciplina".&lt;br /&gt;Já o professor Jorge Martins diz que a presidente é "incompetente" e que se vive "um clima de impunidade". Manuel Afilhado, presidente da Junta da Falagueira, alerta: "O epicentro do crime passou da Cova da Moura para a Falagueira." O director Regional de Educação de Lisboa, José Leitão, disse ao CM que a escola será reforçada com "cinco tarefeiros". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Correio da Manhã&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reportagem da RTP a emitir hoje dia 30 de Outubro de 2008&lt;br /&gt;  &lt;a href="http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&amp;amp;visual=25&amp;amp;article=370384&amp;amp;tema=1&amp;amp;pagina=&amp;amp;palavra=&amp;amp;ver=1"&gt;http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&amp;amp;visual=25&amp;amp;article=370384&amp;amp;tema=1&amp;amp;pagina=&amp;amp;palavra=&amp;amp;ver=1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Flashes do protesto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262599669775381826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SQiChGgMtUI/AAAAAAAAAg4/4VIFU0zQH04/s320/HPIM0781.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262600066721153170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SQiC4NPcgJI/AAAAAAAAAhA/-QY-l1_Pe_Y/s320/HPIM0786.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262602105169001618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SQiEu3DSPJI/AAAAAAAAAhI/qd_Ht_vCokA/s320/HPIM0788.jpg" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Público&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Alunos de escola da Amadora em greve contra insegurança&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.clix.pt/main.asp?dt=20081029&amp;amp;id="&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;29.10.2008, Catarina Gomes&lt;br /&gt;A maioria dos alunos da Escola Secundária Mães d'Água, na Amadora, fez ontem greve às aulas para protestar contra a violência e insegurança sentidas no interior e exterior da escola desde o início do ano lectivo. O protesto vem na sequência do esfaqueamento de um aluno do 9.º ano, na semana passada, à entrada do estabelecimento de ensino. &lt;strong&gt;Joana Filipa&lt;/strong&gt;, uma aluna da escola, afirma que a violência e os assaltos, sobretudo para roubar telemóveis e dinheiro, são frequentes. Foi enviado na segunda-feira um abaixo-assinado, com 400 assinaturas de alunos, à Direcção Regional de Educação de Lisboa; a petição exige o aumento do número de funcionários e de policiamento, contando o caso do aluno que foi agredido com uma faca junto ao portão da escola, "tendo sido hospitalizado e intervencionado a um pulmão perfurado".&lt;br /&gt;O documento refere também "variados casos de violência por parte de alunos pertencentes à comunidade escolar e, ainda, por outros intervenientes da comunidade envolvente", dando o exemplo de alunos que "são obrigados a comer relva ou a despir--se": "Os poucos funcionários do estabelecimento de ensino não conse-guem dar resposta a tantas solicitações permanentes, nem controlar actos de tamanha violência". A presidente da comissão instaladora do Agrupamento de Escolas Mães d'Água, Maria João Ferreira, confirma que a maioria dos alunos fez greve na parte da manhã: "Os que não entenderam ir às aulas tiveram faltas". Referindo-se ao aluno de 15 anos a quem foi espetada uma faca nas costas, esclarece que está em repouso em casa, depois do internamento, e voltará com apoio da psicóloga da escola. O incidente aconteceu "entre o portão e o carro da mãe, à hora do almoço", esclareceu. Maria João Ferreira diz que se tratou "de uma situação excepcional" e que a polícia já terá identificado o suspeito, mas nota que "o ambiente da escola é difícil", pois encontra-se próximo "de dois bairros problemáticos", um deles associado ao tráfico de droga. A responsável acrescenta que não há policiamento à porta, mas "dois agentes da Escola Segura vêm cá sempre que é solicitado". O que houver mais a fazer é da responsabilidade da polícia e do Ministério da Educação, frisa. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-3852320961818531902?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/3852320961818531902/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=3852320961818531902&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3852320961818531902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/3852320961818531902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/10/voz-s-mulheres-e-homens-do-futuro.html' title='A voz às mulheres e homens do futuro'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SQiCHjT219I/AAAAAAAAAgw/QIWTTMIHgxs/s72-c/imagoesc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-202599509900711565</id><published>2008-09-26T15:40:00.002+01:00</published><updated>2008-09-26T15:44:42.944+01:00</updated><title type='text'>Mia Couto. Escritor moçambicano</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SNz1UKkeH3I/AAAAAAAAAc4/GowqM4FWkzg/s1600-h/mia+couto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250340992390668146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SNz1UKkeH3I/AAAAAAAAAc4/GowqM4FWkzg/s400/mia+couto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;«Os jovens vivem obcecados com o escrever bem e bonito. Muitas vezes ficam sufocados com isso. O importante é saber se há ali uma história, uma alma, coisas para dizer. Mesmo que escreva mal, com erros ortográficos, ele tem de ficar tranquilo, porque são os pormenores técnicos do assunto. O resto é que não se resolve. A escola e a família têm de estar disponíveis para isso. Não se pode matar alguém que tenha talento, simplesmente porque não o sabe fazer do ponto de vista técnico» JL 18-6-08 p.23&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-202599509900711565?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/202599509900711565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=202599509900711565&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/202599509900711565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/202599509900711565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/09/mia-couto-escritor-moambicano.html' title='Mia Couto. Escritor moçambicano'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SNz1UKkeH3I/AAAAAAAAAc4/GowqM4FWkzg/s72-c/mia+couto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2341255265967990003.post-712670000253092679</id><published>2008-06-10T22:52:00.001+01:00</published><updated>2008-06-11T21:48:53.109+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avaliação'/><title type='text'>Por que ou porque passarei os alunos…</title><content type='html'>Não é de hoje a relação difícil com a escola, seja por parte dos pais e encarregados de educação, seja da sociedade em geral, com censuras dirigidas frequentemente aos jovens. Já em 1932, uma comissão de pais explicava que «os filhos são capazes de esforços intensos, mas curtos, são rebeldes ao esforço lento, à tenacidade, à persistência e à continuidade, são cérebros de grande elasticidade, mas sem firmeza, são vontades facilmente vencidas e tornadas inertes pela monotonia das ocupações mentais».&lt;br /&gt;Reflectir sobre as seduções tentadoras a que os jovens de hoje estão expostos seria falar em evidências que todos conhecemos, portanto desnecessário. Assim, neste momento particular de avaliação e no contexto das reformas actuais do ensino, que sugerem o facilitismo impõe-se ponderar alguns pontos que entendemos importantes.&lt;br /&gt;Primeiro, há que considerar que a avaliação das aprendizagens em Língua Portuguesa, pelo seu carácter distinto de disciplina, condensa as múltiplas e complexas dimensões da avaliação. Deste modo, procura ir ao encontro da natureza heterogénea do objecto de trabalho, bem como ter em atenção o estatuto transdisciplinar dos conteúdos da disciplina, as experiências linguísticas dos alunos e o próprio contexto em que se desenvolve o processo de ensino/aprendizagem. A tudo isto acresce a representação social da disciplina como um lugar privilegiado de aquisição e desenvolvimento de competências literácitas, entenda-se compreensão e expressão da Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;Noutra perspectiva de abordagem e situando-nos num contexto mais global, há que olhar a escola como uma extensão da realidade social, replicando-a na sua complexidade, implicando assim as consequências que decorrem de uma sociedade obcecada por objectivos subordinados a estatísticas de rentabilidade dominada por «liberalismos». Daqui resultam anacronismos que alimentam os profetas esclarecidos da opinião pública em oposição aos ideais da educação. Mas não nos iludamos, pois esta contenda já António Sérgio a sublinhava: «A escola exprime a sociedade, dá o que lhe pedem: e ninguém lhe pede educação, mas diplomas». Há que ter cuidado com as aparências e não nos deixarmos cair no simplório: «a 4ª classe de antigamente é que era boa».&lt;br /&gt;A nossa convicção coloca-se exactamente no oposto. É melhor um aluno possuir o 12º ano, mesmo com dificuldades, do que ostentar um excepcional 9º ano. As razões tornam-se óbvias quando comparamos os universos de conteúdos e culturais que diferenciam estes dois níveis. Por certo, um jovem, que experimentou o 12º ano, terá mais recursos e ferramentas para encarar a sua maioridade e sentir-se mais capaz de se realizar como adulto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2341255265967990003-712670000253092679?l=escrever-com-alma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/feeds/712670000253092679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2341255265967990003&amp;postID=712670000253092679&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/712670000253092679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2341255265967990003/posts/default/712670000253092679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrever-com-alma.blogspot.com/2008/06/por-que-ou-porque-passarei-os-alunos_10.html' title='Por que ou porque passarei os alunos…'/><author><name>Luís Filipe Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02683486561081778448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_T19k61LpRlY/SZ3nK2pYyGI/AAAAAAAABk0/7O1sfGwpljE/S220/fotofilipe1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
